Estamos vivendo um período de muitas informações, expectativas e solicitações. As pessoas sentem-se massacradas com o volume de demandas externas; a maioria delas envolvendo a aparência física e o seu status (também externo) profissional.
Atualmente, importa mais ''parecer'' do que ''ser''. E o estresse acaba sendo algo comum e natural. Homens e mulheres estão vivendo a era da visibilidade, isto é, quem aparece mais? Quem tem mais sucesso? O mais importante é mostrar uma fachada convincente, de bem sucedidos, felizes e joviais. E dá-lhes academia, massagens, drenagens, botox, relógios de griffe, etc, etc.
Atualmente, existem profissionais para tudo: os personal trainers e também os personal stylists (para cuidar do visual e da aparência), e ainda outros ligados à beleza, à sexualidade, à carreira e ao dinheiro. Isso mostra como estamos transferindo a responsabilidade de escolha e realização para o outro, o que é delicado e perigoso, já que embute o conceito de que o que vem de fora é muito, muito mais confiável e melhor do que o que está dentro de nós.
Perder a identidade, fazer o que os outros determinam (seja uma dieta, a compra de uma roupa ou um strip-tease para o marido) tira o poder de escolha e o discernimento. É importante separar o joio do trigo, saber o que é melhor para si. Mas, como saber, quando se ouve mais as vozes externas do que as internas?
Por isso, é essencial que aconteça um esforço para se conhecer, se questionar e descobrir as demandas mais importantes.
Nesse exercício, vamos descobrir que é muito melhor ler um livro do que ficar três horas diante de um programa de tevê que nada acrescenta, como também sacar que o consumismo pode nos afastar dos grandes prazeres.
Quanto mais acumularmos objetos, roupas, utensílios, mais tempo precisaremos dedicar ao cuidado dessas coisas e sobrará menos energia para gastar em atividades gostosas como conversar com os amigos, caminhar, correr, ouvir música e, claro, fazer amor, entre uma lista interminável de atividades prazerosas.
É bom lembrar que quando não há discernimento, há o risco de se perder o eixo da própria vida.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

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