Distúrbio da memória com lapsos de esquecimento é um fato que ocorre com o envelhecimento. Não é doença, mas poderá ser a primeira manifestação de um quadro conhecido como demência, que é uma doença que ocorre com idosos, de graves consequências familiares e sociais.
E o que é demência? Segundo o critério mais usado, DSM IV, a demência é o desenvolvimento de múltiplos déficits cognitivos, que incluem comprometimento da memória e pelo menos uma das seguintes perturbações cognitivas: afasia (distúrbio na comunicação), apraxia (distúrbio da capacidade de execução), agnosia (distúrbio no reconhecimento) ou uma perturbação do funcionamento executivo que envolve a capacidade de pensar abstratamente e planejar, iniciar, sequenciar, monitorar e cessar um comportamento complexo.
Demência é a doença do século 21, do sistema nervoso, e a de maior impacto econômico e social de todas.
A população mundial está envelhecendo a um ritmo progressivo sem precedentes na história da humanidade. Nos Últimos anos há uma tendência firme e mantida da composição demográfica, passando de altas taxas de natalidade e mortalidade para outra caracterizada por diminuição das mesmas.
Em 1960, a taxa global de mortalidade alcançava a cifra de 16,5 mortes para 1.000 habitantes, reduzida para 9,1 em 1995 (The World Health Report 1996). Este estado de transição continuará neste século 21 em forma de uma revolução silenciosa mudando conceitos e transformando toda a sociedade. O aumento da longevidade unido ao decréscimo da natividade mudará a estrutura social em níveis local, nacional e mundial.
Os números em todo o mundo definem o panorama, pois em 1950 havia 200 milhões de pessoas com maior idade que 60 anos, para atingir 400 milhões em 1982 e 600 milhões em 2001 (Organização mundial da Saúde)
As projeções para 2025 são alarmantes quanto aos problemas, de saúde publica, requerendo a presença do estado, pois seremos 1,2 bilhões de idosos na terceira idade. Talvez o melhor método para esclarecer este assunto seja a apresentação de dados relativos a 1950-2025 (Organização mundial da Saúde).
Em relação a 1950, o número total esperado para 2025 é: aumento de população multiplicado por 3, aumento da população maior que 60 anos multiplicado por 6 e os mais idosos, com mais que 80 multiplicado por 10. A demência severa o bastante para prejudicar a habilidade de viver independentemente é calculada para ocorrer em 5% de pessoas com idade de 65 anos e 15%-30% de indivíduos mais idosos, entre 80-85 anos.
Calcula-se que a demência de menor severidade ocorre em mais que 10% da população acima de 65 anos, mas merecedora de atenção médica. Em Londrina o número de idosos, segundo o IBGE, é de aproximadamente 44.000, mas o número de casos de demência não está quantificado.
Seguindo os números dos Estados Unidos, Canadá ou União Européia, teremos, somente em Londrina mais de 4.000 casos, necessitando de tratamento disponível e que era negado pela falta do Centro de Referência e que agora acaba de ser criado. Na área metropolitana o número será proporcional. O diagnóstico deverá ser precoce, para ser considerado tratável, e evitar por mais tempo a existência de mais um ''esclerosado'', que é o termo leigo mais usado pela população.
JOSÉ IVAN CIPOLI RIBEIRO é neurologista e docente responsável pelo ambulatório de demência no Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina

mockup