A atitude emancipatória dá-se quando o ser humano está apto à crítica. Já disse Luiz Fernando Coelho que ''o início da crítica é a autocrítica'', e a essa realização a cultura é extremamente necessária.
Cultura é diferente de mera dogmatização. Alegar que não evoluímos a partir do momento que nos intelectualizamos é julgar a humanidade como irracional e negar todas nossas conquistas. Não somos máquinas, não reproduzimos simplesmente o que registram em nossos cérebros. Temos a capacidade de pensar.
A humanidade não está fadada a repetir. Se atualmente estamos invadidos pela burrificação massificada, é porque justamente há um ponto falho no sistema. Culpa-se a família e escola. Não são elas os culpados. Somos nós que aceitamos pacificamente tudo o que recebemos. Não somos educados a competir, esse é o sonho estadunidense, que muitos resolveram pegar para si acreditando na propaganda ideológica que mistifica o povo. Não temos que proliferar o que desejam os pequenos burgueses, que escravizam os seres. Podemos criar nossa própria personalidade através de nossa razão e admitindo os direitos humanos.
Quanto mais informações temos, exercitamos nossa mente dialeticamente, resultando nossas próprias conclusões. A autocrítica começa justamente quando nos vemos como integrantes da humanidade, suscetíveis a erros, falhas e dominação. Quando acordamos para isso e reagimos estamos participando da história, e dispostos a mudar tal condição.
A igreja pode até nos amedrontar. Mas essas instituições só traduzem as mensagens de forma favorável aos seus ideais. Logo, se a pessoa é suficientemente racional e resolver pensar por si mesma, acreditará no que lhe convir.
A Cultura liberta! A intelectualização também! Porque é esse o primeiro passo para todas as portas se abrirem. A vida traz sabedoria, e esse casamento amadurece a humanidade. Considero também o fato de que grandes pensadores de nossa história davam valor a coisas além das mundanas como Sócrates, Jesus Cristo, São Francisco de Assis, Marx, Rosa de Luxemburgo, Che Guevara...
O saber liberta, a multiplicidade de idéias e cultura torna as pessoas mais solidárias e felizes sim. Demonstração disso foi o Fórum Social Mundial que reuniu mais de 200 mil pessoas que crêem num mundo melhor, tendo a diversidade respeitada e praticando isso. E para ter a vida celebrada basta grafar em nossas mentes a máxima de Descartes: ''Penso. Logo existo''.
EMMANUELLA DENORA é estudante de Direito na Universidade Estadual de Londrina

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