ESPAÇO ABERTO - Pensando o sistema de cotas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de setembro de 2004
Luiz Carlos Ferraz Manini 
As cotas para estudantes de baixa renda e negros nas universidades brasileiras têm gerado uma série de contendas e discussões. Há vários prismas para esta questão, e particularmente, transito entre duas opiniões diversas.
Em primeiro lugar, a criação de cotas, independentemente para quem sejam, é um nivelamento por baixo no nível do ensino, ou seja, em vez de melhorarmos a base, facilitamos o acesso do aluno à universidade, mascarando o problema.
Em segundo lugar, o que acaba por se criar não é uma democracia no estudo: apenas transferimos o problema. Agora não vai mais se discutir como o aluno entra na universidade, mas como ele se mantém dentro dela, tendo que arcar com alimentação, transporte, compra de livros e materiais que não serão custeados pelo governo...
Por outro lado, devemos ver esta medida por seu lado positivo: sobre reforma no ensino no Brasil fala-se desde o Império, ou seja, se continuarmos esperando a ampla reforma do ensino para que o aluno tenha acesso à universidade, talvez os netos dos nossos netos consigam perceber que algo já deveria ter sido feito.
Desta forma, penso que a criação das cotas tem sua validade, afinal, muito embora não resolva o problema, pelo menos o ameniza, tendo a possibilidade do retorno futuro com melhores perspectivas. Muito provavelmente o aluno egresso de baixa renda levará as experiências acumuladas para a sua comunidade, disseminando e promovendo o conhecimento, ajudando a outros como ele a ingressar em uma faculdade.
Para terminar, gostaria de citar um estudioso francês, chamado Michel Foucault. É através dele que percebo que, apesar do tom populista desta reforma, devemos pensar nossa atualidade, estar preocupados com ela, ou então só estaremos postergando os problemas que herdamos. Se será bom ou ruim, só veremos mais para a frente.
LUIZ CARLOS FERRAZ MANINI é professor de História em Londrina


