Cada um de nós tem em si um recipiente de luz, que é o nosso centro, o ponto da alma, que se conecta com a Grande Fonte, ou a Alma Universal. Podemos empregar vários nomes para definir esse centro primordial: o nosso Eu maior, o Deus interno, o Reino em nós, o Eu verdadeiro, o espírito, a essência, o atma. Costumamos simplesmente dizer o coração, significando nosso núcleo central, a morada da consciência. Que pela sua natureza divina é incorruptível.
Ouvir o coração é ouvir o susurro que emana desse envoltório de luz. Temos negligenciado em dar atenção a essa voz, preferindo atender ao comando dos sentidos, que são de sua vez comandados pelo ego (aí entendido o habitat dos impulsos instintivos). O ego humano e o Eu divino presentes no indivíduo estão em constante luta, e no mais das vezes ocorre de o primeiro vencer. Porque não nos postamos vigilantes. Podemos identificar claramente a nossa voz sábia. É quando fazemos algo que a consciência condena.
Qualquer indivíduo sabe dos ''delitos'' que comete, e esse saber é a voz prudente que lhe vem de dentro, do seu centro de luz. Atender a essa voz, ou não, é do seu livre arbítrio. A voz do coração revela-se pela intuição, por um forte sentimento que sôa como advertência. Se, mesmo assim, prevalecer a decisão do ego, poderá vir em certo momento o remorso e aí, mais uma vez, é quando estará se manifestando a voz da alma.
Essa voz está sempre presente, mas se não lhe damos ouvidos ela vai se emudecendo. Diante de qualquer circunstância, a voz que vem de dentro e que sentimos que brota do nosso centro vital é a nossa melhor conselheira. Ela se manifesta pela forma de uma reação interna espontânea, que reprova nossos malfeitos; ou nos induz a uma boa ação pela força do sentimento.
Pessoas que calculam demais todos os seus atos e comportamentos podem se tornar escravas de sua personalidade e sufocar a voz interna que deseja manifestar-se mas não encontra chance, e então prevalece a vontade dos sentidos, que emana do ego. Ela é arrasadora e razão dos conflitos humanos. O coração não se guia por cálculos, pois não tem um código de regras e não comete enganos.
É em nosso recipiente de luz que temos que procurar Deus, e não ''nas alturas'', supostamente separado e distante. Deus revela-se em nossa consciência. Mesmo o mais rude dos indivíduos carrega em si a consciência como atributo. Se nos guiamos sempre pela voz do coração, nunca estamos sós e não corremos risco de erro. Se desejamos saber o que ''Deus quer para nós'' (como pregam as religiões), basta ouvir a voz do coração, porque é ali onde Deus está.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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