Um tema por demais oportuno, é a necessidade da unificação do atendimento social, somando os esforços da união, estados e municípios. Ao longo de mais de 30 anos acompanho como cidadão, como funcionário público, como prefeito e também como líder municipalista, o drama da assistência social no Brasil.
Boa vontade não tem faltado para as entidades e para os abnegados que, em muitos casos, voluntariamente lutam com todas as forças para amenizar o drama dos menos favorecidos.
Porém, principalmente da parte do poder público, é preciso reconhecer que tem faltado recursos e também a execução de programas consistentes e permanentes. Comum é, a cada troca de governo, seja no âmbito municipal, estadual ou federal, o lançamento de novos programas, quase sempre ineficientes, para combater os velhos problemas.
A proposta do Sistema Único defendida pelo governo Lula, traz importante luz sobre um problema que tem atravessado anos de escuridão. Não é possível mais admitir a ação isolada dos três níveis de governo quando se tem como objetivo final combater um mal comum que é a erradicação da miséria.
A execução dessa proposta de unificação certamente acelerará o processo de inclusão, preconizando o que determina a LOAS - Lei Orgânica da Assistência Social. Não importa qual venha a ser os nomes dos novos programas, a prioridade será a união de esforços entre os três níveis de governo, principalmente com a definição de investimentos conjuntos para potencializar as ações.
Na nossa visão, esse novo projeto deve priorizar, num primeiro momento, o atendimento da família necessitada como um todo, visando garantir os direitos básicos. Paralelamente a esse auxílio é fundamental a oferta de cursos de capacitação, entre outras ações, para que essas pessoas venham a ter perspectivas de conseguir trabalho para ter uma vida digna.
O foco principal, nesse novo momento da assistência social no Brasil deve ser através da formação para a cidadania e não meramente as práticas assistencialistas. Isso não funciona, e só com a unificação das ações será possível realizar um combate eficaz dos graves problemas sociais.
JOSÉ DO CARMO GARCIA é prefeito de Cambé e presidente da Associação Brasileira dos Municípios

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