No início da década de 1970, os Estados Unidos, Brasil e todo o Ocidente consideravam como maior inimigo ideológico o regime comunista de Mao Tse Tung, imperante na República Popular da China. Ademais, no golpe de 1964 foram presos e maltratados os cinco chineses que estavam no Rio de Janeiro em missão comercial.
Passando por cima desses embaraços, com sua visão empresarial de descortinar boas perspectivas comerciais para o Brasil no mercado chinês de um bilhão de habitantes, o fundador da Cia. Cacique de Café Solúvel, Horacio Sabino Coimbra, tomou a iniciativa pioneira de visitar a então já famosa feira industrial de Cantão e contatar em Pequim, capital do país, autoridades governamentais.
No período mais duro do regime militar, ele obteve sinal verde do governo do presidente Emílio Garrastazu Médice que, em caráter sigiloso, autorizou o diplomata Geraldo Holanda Cavalcanti, cônsul brasileiro na então colônia inglesa de Hong Kong, a acompanhar o empresário na condição de assessor especial.
De retorno, Horacio Coimbra elaborou relatório ao governo federal com os principais aspectos econômicos de sua viagem.
Quando os chineses vieram ao Brasil para entendimentos referentes ao reatamento de relações, inicialmente somente comerciais, foram recepcionados na casa de Horacio Coimbra em São Paulo. Eles pediram ao Itamaraty incluir essa programação na agenda oficial, porque queriam retribuir o gesto de amizade da visita pioneira ao seu país.
A semente lançada pelo empresário de café solúvel em 1971 viria a frutificar em 1974 no governo Ernesto Geisel, quando foram restabelecidas as relações diplomáticas Brasil e China, seguindo-se 30 anos de profícuo intercâmbio comercial e tecnológico, transformando-se a China no terceiro maior importador de produtos brasileiros.
Com a ida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à República Popular da China espera-se ainda maior incremento do comércio entre os dois países, mais acordos tecnológicos de mútuo interesse e recíprocos investimentos em áreas estratégicas.
LÉO DE ALMEIDA NEVES é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-diretor do Banco do Brasil

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