O Brasil é o país das CPIs que não chegam a lugar nenhum. Não são os escândalos que preocupam. O que preocupa e irrita é saber que o país pode parar por causa destas denúncias. Sem contar as consequências que elas trazem no mercado financeiro (dólar, bolsa de valores, confiança externa), que farão muitos setores produtivos sofrer mais um período de turbulências e incertezas.

Precisamos entender que a economia do país não irá produzir mais por razão destas denúncias. Mas aqueles projetos que estão parados no Legislativo (Senado e Câmara), esses sim, podem até acabar com ela. Ou aqueles outros projetos que iriam melhorar o crescimento industrial, e gerar muitos empregos, também ficarão esquecidos? São muitos os projetos engavetados que quando forem votados e aprovados já serão obsoletos e sem efeito.

Não devemos simplesmente esquecer estas denúncias. Elas são graves e imorais, mas acima de tudo criminosas. Para isso temos o Ministério Público com bons promotores, a Polícia Federal para investigar e o poder Judiciário para julgar e punir. Agora os políticos têm a obrigação de trazer estas denúncias ao conhecimento público. Mas querer criar CPI para investigar algo que nunca tem um final que agrade a população é querer avançar em atribuições de outros órgãos.

É lógico que eles devem acompanhar e cobrar resultados, só que não precisam parar seus serviços (que são pagos por nós), para criar CPIs que em ano de eleição política só servem para criar um mercado de trocas e favores. Aliás, quantas CPIs trouxeram resultados concretos para o país e punição aos culpados de forma exemplar?

Se os políticos do Legislativo tivessem o interesse de melhorar o país, teriam começado criando e aprovando leis que regulamentassem melhor as obrigações e punições aos políticos e servidores públicos corruptos. Muitos falam em criar CPI para moralizar o poder Legislativo e o Executivo. Só que muitos também não têm coragem ou interesse para mexer em questões como a fidelidade partidária, redução de salários de políticos, crimes eleitorais, crimes políticos, responsabilidade política, abuso de autoridade, desvios de verbas, entre outros. Se metade do que fosse necessário já estivesse em vigor, a justiça teria mais poderes para combater estes crimes, e casos como o do Waldomiro Diniz poderiam nem ter existido.

Não vamos mudar ou melhorar o país com estes modelos atuais de CPIs, que param com os serviços no Legislativo e trazem grandes prejuízos à nação. Nem as eleições dão garantias de eleger bons políticos. Só uma rígida legislação para crimes no setor público iria inibir a candidatura de indivíduos que não tivessem boas intenções para com o país. Pode ser um sonho. Mas se nós nos empenhássemos para torná-la realidade, com certeza, nosso país melhoraria muito, pelo menos no setor político.

NEWTON YOJI HORIUCHI é comerciante em Londrina

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