É oportuno neste momento realizarmos esta pergunta e nos colocarmos simultaneamente no papel de cidadão e de vítima. A doença cardiovascular é a principal causa de morte em nossa população e a principal causa de morte súbita, que mata mais que acidentes de trânsito, câncer ou Aids. Para respondermos à tal pergunta, temos que nos concentrar na Lei Municipal 8.845 de 17 de julho de 2002, que apesar de decretada, ainda não cumpre a razão de sua criação.
Nos últimos meses temos observado nos meios de comunicação, casos de morte súbita envolvendo jovens atletas. Entretanto, não temos acesso ao grande número de casos que ocorrem com pessoas comuns. É extremamente importante e discuti-se muito na mídia, o que poderíamos fazer para não ter a parada cardíaca, ou seja, os meios de prevenção. Entretanto, pouco se discute e se faz sobre o que deve ser feito após a parada cardíaca, para que se consiga evitar a morte destas vítimas.
As causas para a omissão no atendimento deste tipo de evento envolvem a classe médica e de profissionais de saúde, o governo e a sociedade como um todo. Talvez esta seja a principal razão para a omissão, responsabilidade repartida. Quem de nós nunca ouviu alguém dizer ''que seria bom morrer rápido''. Na verdade o bom mesmo é não morrer e para nós, médicos, o melhor ainda, é evitar a morte sobre todas as maneiras.
Esta lei é inédita na América Latina e tem a finalidade de facilitar a realização do início das manobras de ressuscitação cardiorespiratória e a desfibrilação cardíaca (choque no peito). Estes minutos iniciais são cruciais.
A média de pessoas que apresentam este evento em uma cidade de 500 mil habitantes é em torno de 500 pessoas/ano. Atualmente, salvamos 2% destas pessoas (10 pessoas), quando poderíamos estar salvando, pelo menos, 300 pessoas ao ano.
Nós sabemos que, com a união de médicos, profissionais de saúde, governo e sociedade, podemos melhorar estes números, e é para isto que precisamos atuar nesta importante causa de mortalidade e não sermos passivos e nos contentarmos com ''morrer sem sofrer é bom''.
Só morremos após 4 ou 5 minutos da parada cardíaca e se os procedimentos não forem realizados como devem ser. Portanto, a resposta da pergunta realizada acima é parada cardíaca e não morte súbita, pois ainda existe tempo para fazermos algo.
MANOEL FERNANDES CANESIN é cardiologista e professor adjunto de Cardiologia da Universidade Estadual de Londrina

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