ESPAÇO ABERTO - Para além das engenharias
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de junho de 2011
Ivan Frederico Lupiano Dias <br> 
O desenvolvimento econômico, industrial, tecnológico e social de uma cidade ou região não prescinde de recursos humanos qualificados, porém somente a existência destes recursos e a criação dos cursos de Engenharia não são suficientes. É preciso criar sinergia entre as diferentes instituições de pesquisa científica e tecnológica com o setor privado e com os órgãos públicos. É preciso ainda institucionalizar o projeto de desenvolvimento. A criação dessa sinergia exige investimento na criação de estruturas que, por um lado, permitam um locus de aglutinação desses segmentos e, por outro lado, permitam perpetuar essa sinergia e o desenvolvimento decorrente dessa articulação para além dos processos eleitorais com as mudanças inerentes ao processo democrático.
Uma estrutura comum a todos os projetos de desenvolvimento regionais dentro da perspectiva de inovação tecnológica é a ''Incubadora de empresas''. Esta é uma estrutura de convergência do poder público, da iniciativa privada e das instituições de pesquisa para a criação de empresas com a formação de empreendedores preparados e aptos a sobreviver no mercado.
Londrina já teve uma incubadora, a Incubadora Industrial de Londrina (Incil), que, infelizmente, foi extinta, devido à enorme confusão reinante no poder público a respeito do que seja custo e do que seja investimento. Existe pelo menos um grande exemplo de empresa de sucesso em Londrina, que saiu dessa incubadora: a Ângelus. Esta empresa saiu da Incil com uma linha de produtos inovadores e hoje já exporta artigos odontológicos para países da América Latina e além. A empresa paga impostos e gera empregos na região de Londrina. Os impostos que somente essa empresa paga para o poder público local já recompuseram todo o investimento feito na antiga incubadora.
A retomada de uma Incubadora Industrial em Londrina poderia trazer benefícios concretos a curto e médio prazos para o desenvolvimento da cidade. O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), tem sede na Cidade Industrial de Curitiba e já possui unidades no interior do Paraná em Jacarezinho e em Maringá. Atua em pesquisa, desenvolvimento e inovação, prestação de serviços tecnológicos e produção industrial em saúde com laboratórios de análises e ensaios tecnológicos apoiando órgãos estaduais e empresas no controle da qualidade, inspeção, pesquisa de contaminantes e realização de testes exigidos pela legislação para importação e exportação de produtos. Tem ainda em sua estrutura em Curitiba a Incubadora Tecnológica do Paraná (Intec), desde 1989. Uma unidade do Tecpar em Londrina é uma demanda justa e que poderia, além de trazer laboratórios para a cidade e região, permitir a estruturação da Incubadora.
Finalmente, cabe ressaltar o papel essencial que deve desempenhar o poder público, principalmente, a Prefeitura de Londrina, na articulação dos ativos e atores do desenvolvimento tecnológico e industrial, colocando-se acima dos interesses eleitorais temporários, aproveitando e interagindo com as estruturas de intermediação existentes e atuando como parceira junto à iniciativa privada e ao setor de produção do conhecimento. É do poder público
o papel proativo de incorporar no dia a dia a temática do desenvolvimento visando uma cidade mais competitiva comercialmente, geradora de riquezas, com maiores oportunidades para a formação de seus cidadãos, com maior oferta de empregos.
Assim, é essencial, no sentido de institucionalizar o desenvolvimento industrial, científico e tecnológico e o compromisso do poder público, a criação de uma estrutura de pessoal, com espaço físico e orçamento definido por lei. Essa estrutura já existe em outras cidades do país na figura de secretarias municipais de Ciência e Tecnologia. A proposta é de criarmos em Londrina uma Secretaria de Ciência e Tecnologia e Inovação.
IVAN FREDERICO LUPIANO DIAS é professor do departamento de Física da Universidade Estadual de Londirna e autor de proposta de criar em Londrina um Polo Tecnológico


