A riqueza da observação in loco de diferentes realidades contribui para a formação global e diferenciada de estudantes nas universidades, especialmente por meio de viagens acadêmicas, que se caracterizam como oficinas do conhecimento. A partir delas é possível distinguir entre o aparente e o oculto, reorganizar ideias e conceitos, agir e reagir frente ao novo, bem como reconhecer-se como responsável pelo seu próprio aprendizado. A função do ensino ultrapassa a transmissão do conhecimento, estendendo-se para contatos com outras culturas, conhecimentos, valores, símbolos, linguagens, provocando salutar troca de experiências.

Para tanto é preciso abrir-se a novas possibilidades e romper com as barreiras teóricas das disciplinas, conduzindo o estudante a ver, vivenciar e interpretar realidades diversas. Temas relevantes podem ser integralmente trabalhados a partir de um planejamento de uma viagem de estudos orientados como atividade complementar.

Outro ponto forte dessa atividade é o uso de metodologias de ensino voltadas para o autodidatismo, nas quais é preciso saber ver, discernir, ficar atento, ouvir, perceber ruídos, sons e imagens, e criar sobre estes elementos um pensamento novo, que poderá ser expresso em relatórios, seminários e outros formatos de avaliação.

As viagens acadêmicas encontram amparo, sustentação e incentivo nas políticas atuais de graduação que estão voltadas para a diversidade, mobilidade, internacionalização, sendo em alguns casos de caráter obrigatório, estando previstas nas diretrizes curriculares dos cursos.

O destino dessas atividades extraclasse, entretanto, didático-pedagógicas, pode se dar em instâncias educativas, empresas, indústrias, museus, instituições de ensino e de pesquisa, públicas e privadas, e em uma variedade de ambientes propícios à construção de fortes elementos que ampliem o conhecimento, o diálogo construtivo e a formação dos estudantes.

No ínterim desta diversificação de conhecimentos, numa dança multidisciplinar, a observação e a vivência prática vem se somar nos projetos pedagógicos dos cursos como pilares relevantes que oportunizam vivenciar situações relacionadas à sua área de atuação profissional, com integração de saberes que dão sentido à profissão e à própria vida. É preciso sublinhar o fato de que as viagens acadêmicas não são onerosas em termos financeiros e, nas avaliações de cursos, garantem repercussões positivas e padrões elevados de qualidade.

Diante de crises financeiras, considerando o atrelamento de viagens acadêmicas aos conteúdos programáticos, subestimar esta atividade relegando-a a um segundo plano é um desrespeito ao projeto pedagógico do curso, aprovado por instâncias superiores de uma instituição de ensino.

Ressalte-se que o significado de uma atitude de corte de recursos, neste nível, representa ignorância sobre os fundamentos da educação e do ensino superior, bem como absurda incompetência no planejamento e gerenciamento de recursos financeiros.

Não obstante a crise, tensões administrativas não devem repercutir no cenário acadêmico, caso contrário, evidenciam a graduação como área desprotegida e desvalorizada, sujeita a imerecidas punições protocolares, malfadadas alterações de humor, por trás da retórica de teses dos que não têm argumentos consistentes.

Peculiar à questão acadêmica, é indubitável que a essa discussão necessitam ser inseridos o uso do remanescente do concurso vestibular e os fundos de apoio ao ensino, pesquisa e extensão, para subsidiar e fortalecer o desenvolvimento de atividades dos cursos de graduação.

Mediante a compreensão do valor das viagens acadêmicas parece oportuno dialogar sobre novas formas de concepção e organização de categorias que dão sustentação às configurações curriculares. Na sociedade contemporânea este se caracteriza como mais um desafio para os processos educativos a ser superado.

MARIA APARECIDA VIVAN DE CARVALHO é professora na Universidade Estadual de Londrina



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