ESPAÇO ABERTO - Pânico assusta, mas existe solução
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de março de 2004
Moacir Costa 
Quem sofre o transtorno ou crise de pânico, sabe o quanto é assustador e desgastante. Quem está de fora, na maioria das vezes não entende, e o pior é que alguns acham que é frescura, falta do que fazer ou uma forma de chamar a atenção.
Calcula-se que 3,5% da população mundial apresente crises de pânico. É bom saber que esse transtorno não é nenhuma forma de loucura, mas um desequilíbrio dos neurotransmissores no sistema nervoso central, como a adrenalina, serotonina e noradrenalina.
Os sintomas são incontáveis e vão desde vertigens, náuseas, calafrios, até dores e contrações pelo corpo. A boca fica seca, há falta de ar e o coração dispara. Aí a confusão das idéias deixa a pessoa impotente, sem ação ou iniciativa, com a sensação de perda do autocontrole e temor eminente de que vai morrer.
Isso pode acontecer com qualquer um, basta ter algum histórico familiar, estar sendo submetido a stress constante (problemas familiares, desemprego, perda de entes queridos etc), agravado por álcool, cigarro e outras drogas. Pânico significa ansiedade intensa, quase insuportável, sem motivo aparente e quando se repete várias vezes, o medo atrapalha tanto o cotidiano que torna as tarefas mais simples, difíceis de serem executadas. É diferente de fobias específicas, quando é identificado o que determina o medo.
A falta de informação e a discriminação sofrida pelas pessoas que apresentam crises ''nervosas'' às vezes levam os próprios médicos a constatar que após a crise de pânico, que pode ser confundida com um infarto ou outro mal súbito, não há nada de errado com a saúde física. Por outro lado, pelo fato de desconhecerem a doença, deixam de fazer uma investigação mais rigorosa e o paciente acaba ficando sem resposta ou resolução da sua crise, e o temor de ter nova crise pode desencadear outras.
Nos últimos anos o quadro tem mudado, existe mais informação sobre crises emocionais, distúrbios afetivos e do pânico, e as pessoas acometidas (a maioria mulheres) começam a ser encaminhadas aos psiquiatras e passam a saber que existe solução.
A psicoterapia, que tem por objetivo ajudar o paciente em crise a identificar os seus conflitos e os fatores desencadeantes, associada aos tranquilizantes leves e antidepressivos, tem conseguido resultados surpreendentes, com retomada das atividades habituais em poucos meses.
Nessas circunstâncias, o apoio familiar e as interações afetivas têm um papel significativo na recuperação do equilíbrio emocional. O desejo sexual se apaga, à medida que o desejo e o prazer são incompatíveis com o mal-estar e desconforto. Com o passar do tempo as coisas voltam a se normalizar, inclusive o sexo.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
- Caro leitor: Caso tenha dúvidas sobre sexo ligue para 0800-770-6543, de 2 a 6, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais acesse o site: www.projetoamarbem.com.br


