ESPAÇO ABERTO - Pais, filhos, educação e outras opções saudáveis
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de outubro de 2003
Francisca Vergínio Soares 
Interessante a notícia veiculada por um jornal televisivo semanas atrás. Na ocasião, o comentarista falou a respeito de uma ação que pedia indenização a um certo fabricante de refrigerante que tem a preferência mundial. O caso era o seguinte: o pai, responsável pela criança alegava que o filho tinha se tornado obeso devido ao consumo exagerado do tal refrigerante e agora pedia indenização à empresa culpando-a pelo excesso de peso do filho. A decisão do juiz não foi favorável ao reclamante e o argumento usado em sua sentença foi o de que se o filho tornou-se obeso a culpa não era do tal fabricante, mas dos próprios pais que não controlaram o filho.
Este fato nos remete à função que nós, pais, temos de mostrar aos nossos filhos as outras opções que a vida oferece e que podem contribuir realmente para um desenvolvimento mais saudável. Assim como esse juiz julgou um pedido desta natureza, daqui a pouco outros pedidos poderão estar sendo julgados, por exemplo, contra os fabricantes de armas de brinquedo por despertarem nos pequenos o instinto violento.
Na verdade, as medidas devem ser de caráter preventivo, o que pode e deve ser feito já no processo de socialização da criança mostrando a ela que existem opções inteligentes e saudáveis além daquelas que o poder de marketing mostra a toda hora. No que se refere à violência não basta apenas votar uma lei de desarmamento como a que está no Congresso. É imprescindível antes de tudo, desarmar a criança da cultura da violência a que ela é submetida o tempo todo, principalmente através de certos programas, desenhos e jogos explicitamente violentos.
Tem crescido assustadoramente em Londrina a estatística de crianças e adolescentes no mundo da criminalidade porque o acesso às armas é tão fácil como comprar um doce na mercearia. Como evitar essa banalização?
Medidas Preventivas é a única saída e a Câmara Municipal deu um excelente exemplo ao aprovar projeto de duas vereadoras que proíbe a venda de armas de brinquedo em Londrina. Óbvio que sozinha tal medida terá pouco êxito se não vier acompanhada com novas posturas também dos próprios indivíduos. Como destacou uma das autoras do projeto ''as armas de brinquedo só reforçam o conceito de violência. Temos de desenvolver nas crianças a cultura da paz e de forma lúdica colocar para elas conceitos de solidariedade e serenidade''.
Em suma, é preciso ensinar, essencialmente às crianças, que há alternativas. É preciso ensinar a elas novas concepções de convivência humana, novos modos de interpretar o mundo e se relacionar com ele que não sejam aqueles que imperam na mídia. É um processo de aprendizagem não só para as crianças, mas fundamentalmente para os adultos, porque são eles que ensinam e ajudam a formas novas consciências.
FRANCISCA VERGINIO SOARES é doutora em Ciências Sociais e professora da Universidade Estadual de Londrina e da Uninorte/Londrina


