O pai sempre foi uma figura controvertida, à medida que muitos passaram de herói a vilão e, muitas vezes, até como xerife da casa. As coisas começam muito cedo e de maneira confusa, uma vez que o casamento sempre foi para a maioria dos homens um investimento social, diferente da mulher, que valoriza mais a construção do seu ninho.
O itinerário que o homem percorre desde a infância sempre foi diferente daquele realizado pela mulher. Até pouco tempo atrás, a educação dos filhos e os cuidados da casa eram tarefas femininas. O território masculino sempre foi o ambiente social, o local de trabalho, o bar, enfim, a vida fora de casa.
A distância da casa e dos filhos desenvolve no homem uma postura mais rígida, na maioria das vezes disciplinadora, impondo limites que nem sempre a mãe consegue estabelecer. Muitos de nós fomos acostumados com aquela figura de pai durão, aquele que sempre teve o papel de provedor em que, muitas vezes, a última palavra era dele, e aparentemente tinha poderes para resolver todos os problemas - o que na prática nem sempre ocorria.
Esse pai despreparado, às vezes omisso ou com tendência autoritária, não consegue avaliar o impacto e a extensão dos problemas psicológicos que os filhos irão apresentar mais tarde; como inseguranças para tomar decisão, baixa da auto-estima e até dificuldades na área sexual.
A emancipação da mulher nesses últimos vinte anos, participando mais ativamente do trabalho fora de casa e ajudando no orçamento doméstico, tem contribuído e mesmo exigido que ''esses pais'' entrem num processo urgente de mudanças e reeducação para evitar danos maiores aos filhos. Felizmente, esse novo pai, na faixa dos 30 anos, começa a mostrar seus sentimentos e solidariedade, quando passa a acompanhar a mulher no pré-natal, na maternidade e nas reuniões psicopedagógicas da escola.
Esse novo homem começa a mostrar uma postura inteligente frente aos filhos, deixando de lado o papel autoritário, aprendendo a conversar de maneira mais franca e amigável, preenchendo aquele vazio existente entre eles e tornando as relações mais amistosas. Sem dúvida, isso vai contribuir para um maior contato físico, onde os carinhos, beijos e abraços passam a fazer parte de uma nova forma de se relacionar e de amar.
É triste ouvir homens que já passaram dos 40 anos reclamando que a grande angústia de suas vidas foi a falta desse abraço, desse carinho, dessa conversa descontraída e de um ombro amigo onde pudessem falar das suas inseguranças.
Apesar das críticas que o dia dos pais e outras datas têm sempre um significado comercial, isso não invalida a necessidade que cada pai tem de verificar, na sua intimidade, qual foi o itinerário utilizado e quais os novos caminhos que devem ser seguidos para que essa convivência seja agradável, onde o diálogo e o afeto tenham sempre uma via de mão dupla.
Procure participar mais da vida do seu filho se interessando não somente pelo seu aproveitamento escolar, mas pela sua capacidade de conviver com os amigos, da facilidade ou não de conseguir namorada(o) e desenvolver entre vocês uma amizade sincera.
É dessa maneira que eles poderão crescer mais confiantes, capazes de tomar decisões e de formar vínculos mais estáveis. Assim, você estará exercendo verdadeiramente o papel de pai amigo.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
- Caro leitor: Caso tenha dúvidas sobre ''Sexo'', ligue para 0800-770-6543, de 2 à 6, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais entre no site: www.projetoamarbem.com.br

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