A Pastoral Fé e Política da Arquidiocese de Londrina, reunida no último dia 29 de setembro com representantes de diversas pastorais, movimentos e serviços arquidiocesanos, deseja aqui fazer um manifesto de total apoio ao posicionamento do Arcebispo Dom Albano Cavallin, publicado na edição de 18/09/03 da Folha de Londrina, com relação ao urgente e necessário estabelecimento de uma medida de punição aos chamados ''padres candidatos'' com base nos seguintes aspectos:
1 - A doutrina oficial da Igreja Católica, que pela nossa fé constitui-se num verdadeiro extrato da própria palavra de Deus, contida nos seus diversos documentos, entre eles o Código de Direito Canônico, defende biblicamente que a atuação político-partidária (e não a atuação em aspectos da política em geral) de sacerdotes é uma grande contradição ao papel que este é chamado a desempenhar no mundo, qual seja o de fomentador da Unidade e do Amor Universal a todas as criaturas indistintamente, como o próprio Cristo fez.
2 - O Código de Direito Canônico, no cânon 285, parágrafo 3º, explicita que é proibido aos clérigos (presbíteros ou níveis superiores) assumir cargos públicos que impliquem participação no exercício do poder civil, não importando a forma pela qual foi conseguido o cargo (se por eleições ou nomeações), fato que infelizmente já vem ocorrendo em nossa cidade e já gerou e ainda gera decepções inúmeras no nosso povo católico para com certos representantes da Igreja, seja por razões religiosas ou políticas.
3 - A Pastoral Fé e Política, como entidade eclesial voltada para a evangelização do universo político, esclarece que é louvável a intenção de leigos católicos que buscam a atuação político-partidária ética e baseada nos preceitos da Doutrina Social Cristã. A Pastoral visa, inclusive, incentivar que mais leigos capacitados para tal missão assumam o desafio da carreira política e, com coragem profética, construam governos novos e autenticamente diferentes da lógica predominante atualmente no jogo político-partidário brasileiro.
4 - Por essa razão, a Pastoral repudia a atitude de políticos que estão ''assediando'' padres para o ingresso na carreira político-partidária ou que, de alguma forma, apoiaram ou apóiam os que já ingressaram nessa atividade. Tais pessoas deveriam se envergonhar de dizer que são católicas, e mais ainda de utilizar púlpitos ou recursos da Igreja, sejam eles quais forem, para propagandear suas candidaturas, atitude essa descabida para qualquer cristão.
5 - Ainda mais indigna é a postura dos próprios padres que ingressaram ou pretendem ingressar na carreira política, num ato de desrespeito e desamor para com a Igreja à qual um dia se consagraram. Sob a leviana justificativa de ''estarem pensando no bem do povo'', eles demonstram não ter nem ética e nem sensibilidade para compreender a maravilhosa vocação de sacerdotes que um dia assumiram na Igreja. Isso é algo altamente preocupante para o catolicismo e que clama por ações firmes da parte tanto do clero quanto do laicato católico, como a praticada recentemente por dom Albano.
Através deste manifesto, queremos ajudar a reverberar a palavra de Deus no conturbado universo político em que vivemos, na crença firme de que fé e política não são aspectos oponentes, mas sim complementares e igualmente fundamentais para a plena realização humana conforme à Criação de Deus.
FLÁVIA ROMAGNOLI é coordenadora da Pastoral de Fé e Política da Arquidiocese de Londrina

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