A Covid-19 chegou e mudou tudo. Há quem ainda não acredite, há quem negue a gravidade, há quem exagere na preocupação, há quem enfrentou e quase não sentiu nada, há quem se recuperou e ainda não sinta gosto nem cheiro, há quem passou longos dias e pesadas noites em um hospital, há quem partiu e deixou um vazio imenso de saudade, há quem chore as perdas sem possibilidade do adeus como era de costume…

Agora é obrigatório usar máscara, ficar longe dos outros, ficar em casa, sem abraços e beijos ao cumprimentar, nada de apertos de mãos, e álcool em gel em todo lugar. Todos estamos exaustos. Mas, esta guerra, apesar das tantas batalhas em 2020, está longe do fim. Temos que perseverar. Uma epidemia dessa proporção é como água fluindo, você pode tentar desacelerar, direcionar ou deixar correr sem controle, ela vai seguir seu fluxo, com maior ou menor intensidade e duração.

Sempre é possível agir no que está ao nosso alcance. Sobre isso, baseado nas orientações que todos já conhecemos, mas sistematizando de forma didática e voltada para este momento de fim de ano, proponho um PACTO pela SOBREVIVÊNCIA. Sem viés de direita ou esquerda, não só por você, mas por aqueles que você ama, ou que amam você.

1. Use máscara, lave sempre as mãos com água e sabão e use o álcool em gel 70%. Há quem acredite tudo isso ser bobagem. Se a máscara não fosse importante, não precisaríamos usar nos serviços de saúde. Seria uma economia incrível de recursos, financeiros e materiais. Você estará se protegendo e, em caso de portar o vírus sem saber, protegerá os outros. São atos singelos, mas que demonstram que você zela por si mesmo e pelo próximo.

2. Mantenha distanciamento. O momento pede que não fiquemos tão próximos ao conversar ou nos relacionarmos socialmente. Dentro de casa é muito difícil, somos um povo afetuoso, isso é consenso. Por isso, frente a qualquer sintoma de febre, dor de cabeça, diarreia, dor de garganta, nariz entupido ou escorrendo, separe suas toalhas, fique distante daqueles mais frágeis, crianças, idosos, e gestantes, caso dividam o mesmo lar. E, busque ajuda profissional. O atendimento precoce é muito importante, assim como o período de isolamento. Fazendo isso você salva sua vida e a de quem convive com você.

3. Idosos, gestantes, crianças e seus pais, e pessoas com problemas crônicos de saúde (comorbidades), evitem aglomerações. Para não repetir o chavão fique em casa, mas dizendo o mesmo em outras palavras, é importante não esquecer. Se for preciso sair, ir ao banco, ou à farmácia, ou ao supermercado, evite os horários de pico, deixe para outro momento. Se houver muita gente, use os serviços delivery pela internet ou telefone. Nas caminhadas para tomar um pouco de sol, procure lugares sem aglomerações, próximos de casa. Se o comércio estiver aberto até mais tarde, aguarde quando o fluxo for menor, deixe para outro dia. Se conseguíssemos combinar melhor isso, talvez não fosse preciso fechar tudo.

4. Infelizmente, não é hora de festas e comemorações. Imagine um cenário de guerra, como num filme da 1ª ou da 2ª Guerra Mundial. Alguém consegue planejar uma festa, uma balada, em meio às mortes, escombros e aos enfrentamentos? Nesta guerra da Covid-19 não sabemos quem vai passar ileso e quem vai embora sem velório nem enterro. É uma guerra silenciosa e que pode invadir qualquer família, a qualquer momento. Pior que morrer por essa doença, é ter que viver sabendo que você trouxe a alguém o vírus que lhe foi fatal. As comemorações de fim de ano vão precisar acontecer em núcleos familiares mais pequenos possíveis, cada família em seu lar. Hoje temos a tecnologia a nosso favor, é um momento de reduzir para sobreviver.

5. É hora de cuidar de si mesmo e dos outros, principalmente dos mais vulneráveis. É o cuidado cívico da sobrevivência. A fila para os hospitais é única e os leitos são finitos. Ouvir que um ente querido não vai poder receber o tratamento que precisa é muito, muito triste. Falo isso, porque já ouvi, já vivi e morri um pouco naquele momento.

Talvez este seja o maior desafio da nossa geração. No entanto, a Covid-19 é questão de vida e morte, aqui e agora. Conheço pessoas que esbravejam tudo isso não passar de uma farsa, e muitas outras que choram entes queridos intubados em hospitais, lutando pela vida. Um pouco mais de perseverança e de amor a si mesmo e ao próximo. Hoje se escrevem as impressões de como o atual momento histórico será lembrado daqui 100 anos. Que não seja pelas mortes e pela incapacidade de enfrentamento das limitações momentâneas. Que possamos ser lembrados como uma geração de guerreiros que resistiram às dificuldades e superaram as mortes com solidariedade e paciência.

Flávio Henrique Muzzi Sant´Anna, médico em Londrina/PR

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