Mais uma vez o processo eleitoral se mostrou irracional, viciado e corrompido, onde grande parte dos cidadãos e dos políticos estabelece uma relação promíscua de troca de favores, do voto pessoal e da mercantilização do voto. Pessoas que esperam do vereador um favor qualquer, uma cesta básica, um remédio, uma consulta ou exame, uma ambulância, um caminhão de terra, um encaminhamento de aposentadoria, dentre outros direitos custeados com dinheiro público, mas intermediados por ''políticos'' em troca de votos. Enquanto o povo esperar apenas isso dos vereadores e dos deputados, infelizmente é apenas isso que continuarão tendo precariamente, mendigando o acessório e desconhecendo o principal.
O que realmente tem valor e que deveria ser cobrado de todos nós, detentores de função pública, são os projetos e ações que gerem desenvolvimento, emprego e renda; estrutura pública de saúde, assistência e educação com qualidade para todos; infra-estrutura e urbanismo que propiciem bem estar e qualidade de vida; competência e seriedade na gestão pública.
O clientelismo e o assistencialismo eleitoreiro são vícios históricos da política brasileira, que mantêm o povo na pobreza, na dependência e que prejudicam o desenvolvimento econômico e social. Aliado a isso, novas modalidades de compra de votos vêm sendo aperfeiçoadas por muitos ''políticos'', como a contratação de ''cabos eleitorais'' no dia da eleição, de forma bem ''acabrestada'', fornecendo camiseta do candidato para o ''cabo'' usar na ''boca-de-urna'', conferindo o voto do ''cabo'' na zona e seção eleitoral, além de o candidato prometer ao ''cabo'' pagar um valor extra em caso de eleição.
Essa fórmula utilizada por alguns foi decisiva para comprar os votos necessários para a eleição, e já se consolida como regra para as próximas eleições, até o dia em que os nossos legisladores federais e a Justiça Eleitoral adotem medidas coibitivas ou que a grande parte dos eleitores adquira consciência política e vida digna para não serem presas fáceis do assistencialismo eleitoreiro e da compra de votos.
Compreendo que a questão é bem maior e complexa, diz respeito ao nível de educação, de politização e da própria condição de vida dos cidadãos. Problemas estruturais que não se resolvem e que se reproduzem, pelo círculo vicioso da baixa qualidade de vida material e cultural, que leva ao baixo nível de representação política e vice/versa. Romper esse círculo vicioso é desafio para todos os verdadeiros democratas e idealistas. ''Se eu não ardo, se tu não ardes, quem manterá acesa a chama'' Nazim
Hikmet.

EDMILSON BOTÉQUIO é bancário e vereador em Paranavaí

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