ESPAÇO ABERTO - Os trunfos do agronegócio
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de setembro de 2004
Ruy Altenfelder 
País do futuro! Celeiro do mundo! Dentre estes vaticínios sobre os destinos do Brasil, há décadas repetidos, o segundo é o mais próximo de se consolidar como realidade definitiva, constituindo-se, ainda, em fator decisivo para a materialização do primeiro. O valor agregado do agronegócio, que deverá fechar 2004 em cerca de R$ 524 bilhões, crescendo 3,15% em relação a 2003, já significa quase 40% do PIB nacional.
Esses dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) seriam suficientes para atestar a importância do setor. Porém, sua trajetória transcende as estatísticas. O agronegócio tem-se mostrado a atividade mais resistente às intempéries e turbulências internas e externas da economia e supera as barreiras protecionistas e subsídios persistentes nas nações industrializadas (somente em 2003, os agricultores dos países signatários da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne os mais industrializados do mundo, receberam ajuda de 229,473 bilhões de euros ou R$ 900 bilhões).
A despeito de tudo, agricultura e pecuária respondem por 42% das exportações brasileiras e, além dos mercados da Europa e América do Norte, ganham cada vez mais espaços na China, Rússia, Oriente Médio, Indonésia e América Latina. Apenas para lembrar: em 2003 suas exportações somaram US$ 30,6 bilhões (mais 23% em comparação a 2002) e seu superávit comercial foi de US$ 25,8 bilhões.
Numa analogia com a renitência comercial do agronegócio diante das dificuldades econômicas e mercadológicas, seus produtos também são cada mais resistentes às pragas, geneticamente melhores e com índices crescentes de produtividade. Estas virtudes aplicam-se à pecuária, na qual se observa melhoria dos rebanhos bovinos e suínos, e na agricultura, em especial no cultivo de grãos, como soja, milho e arroz. O avanço decorre dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e do trabalho de organismos como a Embrapa.
A melhoria da qualidade é condicionante, considerado o crescente grau de exigência dos compradores, em particular os norte-americanos e europeus (estes atingem requintes de rigor na seleção de produtos para consumo humano). Assim, é impreterível atender aos seus padrões, pois, em cerca de 30 anos, as políticas ambientais e de proteção animal transformarão a União Européia em gigantesco jardim e santuário das faunas. Então, protecionismo será um termo esquecido e o Brasil deverá consolidar-se como fornecedor superlativo de alimentos.
Cabe à Nação, espelhando-se na competência do agronegócio, fazer com que a exploração da natureza e biodiversidade seja sustentável. Além disso, é preciso solucionar os gargalos da economia, para que a distribuição mais justa da renda viabilize também no mercado interno o consumo em grande escala dos produtos do campo.
RUY MARTINS ALTENFELDER SILVA é advogado em São Paulo e presidente do Instituto Roberto Simonsen
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