ESPAÇO ABERTO - Os prisioneiros do conforto
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de outubro de 2004
Walmor Macarini 
Certas construções verbais são um achado e facilitam o que queremos dizer quando escasseiam as palavras. De repente nos surge uma frase pronta, como esta que extraio de mensagem eletrônica que me chega: despertar os prisioneiros do conforto. É isto que estão fazendo milhares de iluminados seres do mundo, quase em silêncio, para tirar da confortável letargia uma grande legião de adormecidos, que parecem contentes na condição em que se encontram e imaginam que a existência não deve ser questionada. Eventualmente possuem muitos bens, uma boa carreira ou são pobres e acham que isto é vontade de Deus e se dão por satisfeitos, sem imaginar nem aqueles e nem estes se há algo além desta vida que mereça algum gasto de tempo com que ocupar-se.
São os prisioneiros da acomodação, que nada inquirem, ou porque são jovens, e nesse conforto da juventude não desejam envolver-se com 'essas coisas'; ou porque estão na fase propícia para realizar ideais de vida e firmar-se no desempenho de sua atividade, usufruindo das sensações desse desafio; ou porque ficaram velhos e imaginam já haver cumprido o seu dever, e assim entregam-se 'nas mãos de Deus', permanecendo no conforto do obscurantismo, sem conhecer a própria potencialidade interior e o significado de ser e existir. São no mais dos casos boas pessoas, que cumprem o que denominam as obrigações religiosas, mas não desabrocham, porque nunca buscaram olhar além da linha do horizonte. Aprisionam-se a dogmas que lhes foram ditados e crêem que isto lhes basta.
Mas eis que, nessa escuridão, luzes começam a cintilar, vozes nunca antes sentidas vão acordando esses prisioneiros do conforto, palavras velhas ditas de forma nova vão sendo entendidas. Se há os que relutam, há os atentos, que perfilam na dianteira e são os que farão o novo mundo. Um exército de iluminados mestres ascensos opera, neste momento, não por alguma ordem celestial de intervenção, mas porque os habitantes do planeta estão gradativamente abrindo seus portais e permitindo a expansão e o vôo liberto do deus aprisionado dentro deles mesmos, e assim a conexão se estabelece.
São muitos os que acorrem em auxílio, oriundos das elevadas esferas, mas é preciso estar acordado, ou eles deixarão os adormecidos no doce repouso, até que despertem. Ninguém entra em nossa casa se não abrimos a porta. Milhões de seres nascem, vivem e vão embora, sem nunca haverem buscado saber por que vieram e por que vão, e assim vão repetindo o processo a roda de sansara. De qualquer modo, acontece um gradual despertar da humanidade, e quanto mais despertos houver, mais deles existirão para induzir outros ao despertamento. O alvorecer já se manifestou e o sol vai alto.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


