Até 1982, o horário político na televisão seguia a Lei Falcão. Os candidatos eram pouco vistos na tela em quadros 3x4 e um locutor lia os seus currículos. A partir de 1985 os partidos políticos ousaram em seus programas, inserindo novos conceitos de publicidade para atrair a atenção do eleitor. Nascia o marketing político. De 1992 para cá, os políticos gastam valores astronômicos para se eleger. Falam aquilo que o eleitorado quer ouvir, mas jamais poderão cumprir.

As eleições se aproximam e os políticos voltam às ruas de Londrina. Um leque de candidatos a prefeito e outros 359 postulantes ao cargo de vereador. A ética e ideologia política sumiram. Tudo vale e forma-se a teia política para se chegar ao poder. Para prefeito é interessante o que se vê: há o ''experiente'' e seus aliados, confiantes, parece o que Londrina passou, nada significou. Candidatos a prefeito: abram os olhos e mostrem idéias que convençam, caso contrário, voltaremos àquele filme, com os mesmos atores e final triste para a pequena Londres.

Os maus políticos podem voltar. Os marqueteiros sabem moldá-los não só à forma de apresentação de suas idéias e propostas, mas também pelo conteúdo de seus discursos. Os profissionais do marketing fazem uma pesquisa qualitativa para saber o que o eleitor quer, suas queixas e reivindicações. Depois passam a formatar o discurso que chegará aos ouvidos do eleitorado. Aí não importa se o passado do candidato e suas posições políticas e ideológicas sejam conflitantes com o discurso eleitoral. Os marqueteiros clareiam as qualidades do candidato e escondem seus defeitos. São vendedores de ilusão que fabricam imagens que não correspondem à realidade.

O eleitor é bem-intencionado vota para melhorar acreditando nas promessas feitas por um candidato que os marqueteiros ajudaram a construir. Se os políticos são incapazes de cumprir suas promessas ou agem em sentido contrário às expectativas criadas, isso gera no eleitorado uma séria frustração que será transferida ao processo democrático.

A lei deveria ser severa contra a propaganda mentirosa e a teia política (cargos + contribuições diversas) nas campanhas que fazem com que os candidatos fiquem amarrados aos grupos de interesse. Tinha que haver uma co-responsabilidade do marketing com o produto que está vendendo, porque mexe com o futuro das pessoas.

A publicidade de candidatos a cargos públicos não é a mesma usada para se divulgar um sabonete. Se disser que o tal sabonete é mais perfumado e lava melhor e não for verdade, a pessoa troca de produto. No caso de um político eleito isso é muito mais difícil e a sociedade sofrerá as consequências de uma campanha publicitária enganosa.

Já acreditamos em políticos que depois nos traíram, mas isso não pode diminuir nosso senso crítico. As vitrines estão abertas, mostram os políticos vendendo ilusão! Cuidado para não ser enganado nesse discurso dos profissionais políticos que vendem ilusões, roubando seus sonhos de dias melhores para sua cidade.

OSVALDO CARDOSO RIBEIRO é professor de Sociologia em Londrina

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