Com relação ao ambiente, a humanidade vive o dilema de um duplo problema: como satisfazer as atuais necessidades alimentares de mais de um bilhão de subnutridos sem alterar a capacidade de alimentar outros milhões de seres humanos que nascerão nas próximas décadas? ''Não se pode conceber um planeta ambientalmente sadio, num mundo socialmente injusto'' (ECO 92).
Em 6 de junho comemorou-se o Dia Mundial do Meio Ambiente, quando muito se falou sobre a destruição ambiental já realizada e as ameaças que ainda pairam sobre a sustentabilidade futura do Planeta, mas pouco se disse para ''justificar'' a destruição ambiental inconsciente causada pelos pobres, que sobrevivem da exploração dos recursos naturais.
É verdade que a destruição ambiental é responsabilidade tanto das nações pobres quanto das ricas, mas, convenhamos, a responsabilidade destas é muito maior. Segundo a ONU, apesar do dano causado à natureza pela massa de despossuídos, são os países ricos os grandes vilões da destruição ambiental, pois, respondendo por apenas 25% da população, consomem 80% dos recursos do Planeta.
Quando se compara o mundo de hoje com o de décadas passadas, não há como desconhecer que o mundo avançou. Mas avançou enviesado. Os benefícios desse crescimento econômico não foram distribuídos por igual. Os que precisavam menos ficaram com mais e, consequentemente, os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres.
Estudos do Banco Mundial sobre o desenvolvimento econômico mundial dos últimos 130 anos concluiu que o rendimento dos ricos cresceu seis vezes mais que o dos pobres e responsabiliza as políticas desleais de subsídios e protecionismos praticadas pelos países desenvolvidos, como uma das causas desse desajuste. As nações pobres - quando conseguem exportar - são forçadas a vender cada vez mais commodities para comprar cada vez menos produtos industrializados, sem considerar a dupla perda que já sofrem por causa dos subsídios, onde, perdem porque o primeiro mundo se auto-abastece e perdem, novamente, porque os excedentes subsidiados são exportados, deprimindo os preços no que resta de mercado.
As nações pobres, privadas dos ingressos das exportações não realizadas, têm dificuldades para investir em preservação ambiental, quando outras necessidades mais prementes não estão ainda satisfeitas, o que nos permite afirmar, que, uma política racional de preservação ambiental passa pela erradicação da pobreza.
A propósito: se persistirem as atuais distorções no intercâmbio comercial entre nações pobres e ricas, ao invés de uma economia globalizada, onde todos se beneficiam, teremos uma convulsão generalizada, onde todos perdem. ''Se uma sociedade livre não pode ajudar os muitos que são pobres, acabará não podendo salvar os poucos que são ricos'' (JFK).
AMÉLIO DALL'AGNOL é pesquisador da Embrapa Soja em Londrina

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