ESPAÇO ABERTO - Os neo-socialistas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de outubro de 2003
Célio Heitor Guimarães 
Cariocas, afinai as vossas cuícas e esquentai os vossos tambores porque o homem quer sambar! Segundo informam os jornais aqui da Capital Social (ex-Ecológica), Jaime Lerner (JL) está transferindo o seu (dele) domicílio eleitoral para o Rio de Janeiro. A estratégia seria ''ocupar espaço que garanta projeção nacional''. Talvez a mesma projeção conseguida por César Maia e Luiz Paulo Conde, ambos ex-brizolistas como JL. Aliás, ele já andou por lá, algum tempo atrás, quando rezava pela cartilha do velho Brizola, projetando umas ''artes'', das quais nunca ninguém ouviu falar.
Mas a grande peripécia do nosso Jaime, nesses tempos de forçado ostracismo, entre uma sessão e outra da tal União Internacional dos Arquitetos, foi haver assinado a ficha de filiação partidária ao PSB. Como se sabe, ele nasceu politicamente na Arena dos ditadores; passou depois para o PDT do engenheiro Leonel; e, em seguida, após duas fracassadas tentativas de pousar no ninho tucano, caiu nos braços do PFL de ACM e Jorge Bornhausen. Agora, é todo de Miguel Arraes e jura que era socialista desde criancinha. Convicção ideológica é isso aí!
Mas Lerner não foi só. Levou junto todo o seu ''grupo'', composto, ainda segundo os jornais, pela esposa Fani e pelos ex-secretários Rafael Dely, Cândido Martins de Oliveira, José Tavares, Gerson Guelman, Guaraci Andrade e José Cid Campêlo Filho, todos neo-socialistas de carteirinha. Só não se sabe porque ficaram de fora o Homem do Alto da Glória, como diria a atual coleguinha Ruth Bolognese, e o ex-coleguinha da ''Última Hora'' velha de guerra Miguel Salomão. Aliás, por falar na Ruth, a ausência do Homem do Oriente (ou ''Jacaré do Barigui'', se preferirem) também está sendo sentida. Mário Celso Cunha (oi, Marinho, há quanto tempo, hein?!), que segundo ele próprio, naquela refrega televisiva com o neo-Rafael Greca, foi sempre fiel a todos os prefeitos, já estava lá.
O bloco ainda poderia ser engrossado por uma vasta plêiade de ex-luminosas figuras, não estivessem elas meio esmaecidas, porque enroladas com o Ministério Público e em algumas CPIs, como aquelas do Banestado e do ParanáCidade.
O troca-troca, no entanto, não magoou nem um pouco o deputado Abelardo Lupion, presidente regional do PFL. Ao contrário, para ele, a decisão de JL ''foi um caminho ético''. Também o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão, que agora é do PSDB, festejou a capacidade de Lerner ''de criar um fato novo na política carioca''. E até o atual vice, Orlando Pessuti, que é do PMDB, desejou ''boa sorte'' ao ex-pefelista. Nada como tratar com gente civilizada!
Fábio Campana, não obstante, que também poderia integrar facilmente o ''grupo'', está curioso para saber se, ''agora que Jaime Lerner confirmou o domicílio eleitoral no Rio, acabou a paúra palaciana''.
Olha, Campana, como eu não frequento a turma palaciana, não sei responder-lhe. Nem sei se havia motivo para paúra em palácio. Você poderia perguntar ao Walmor. Mas suponho que o governador Requião e toda a turma do Iguaçu devem estar doidinhos, como eu, para ver o nosso roliço JL pedindo votos para a Prefeitura do Rio de Janeiro lá na Rocinha, no Complexo do Alemão, na Cidade de Deus e em outros redutos de igual magia do eleitorado carioca.
Socialismo tem dessas coisas.
CÉLIO HEITOR GUIMARÃES é jornalista, advogado em Curitiba e colunista do jornal ''O Estado do Paraná''


