O sucesso está na quantidade ou na qualidade? O que faz uma pessoa bem sucedida: ser dona de uma rede de varejo que fatura R$ 8 bilhões ao ano ou o sentido e luta de sua vida?’’
  Há duas semanas tive a oportunidade de realizar mais uma palestra motivacional. As quatrocentas pessoas da platéia se encantaram com a correlação entre as idéias e o exemplo ilustrativo que usei. Foram passagens da vida de Samuel Klein, meu querido amigo, o homem que edificou o império das Casas Bahia a partir de uma pequena charrete. Nossa geração perdeu a visão dos exemplos de vida que incentivaram gerações anteriores. Parece que hoje todos correm atrás de um quinhão de riqueza que dê acesso aos desejos que imaginam serem mínimos para uma vida socialmente respeitável e digna. Nada importa, além disso. Mas isso é viver? É tão somente para se ter coisas que vivemos. E o sentido, a razão, o propósito onde entram?
  Da vida do sr. Klein são muitas as histórias de onde se aprendem coisas curiosas e indispensáveis a uma existência de real valor. Um dos episódios mais curiosos de sua biografia narrada pelo jornalista Elias Awad no livro: ‘‘Uma Trajetória de Sucesso’’, conta de certo dia em que ele entrava em sua loja principal, quando ouviu a conversa entre uma vendedora e uma cliente. Aproximando-se, entrou na conversa querendo saber se a cliente gostava das Casas Bahia. Ela lhe disse que sim e que, apesar de ter-se interessado por uma máquina de lavar não poderia fazer negócio, pois, sua renda mensal estava comprometida com as prestações de uma dívida que contraíra em uma rede concorrente. Samuel pensou e agiu à velocidade da luz.
  Pediu a ela o carnê e, após conhecer o valor, tirou do bolso o dinheiro para quitação do carnê dando-o à mulher. Esta, com olhar perplexo, ouviu da boca do sr. Klein as instruções que ele passou imediatamente à vendedora: ‘‘Acrescente o saldo do carnê ao valor da máquina de lavar e faça um só financiamento dentro das condições que forem possíveis para ela pagar’’. A mulher - feliz pelo atendimento e pela especialidade com que fora tratada - disse confirmou à vendedora que compraria a máquina que há tanto tempo desejava.
  Perguntado por um vendedor que assistira à cena desde o princípio a respeito do que passava em sua mente quando agia assim, respondeu o Sr Klein: ‘‘É preciso viver e deixar que os outros também vivam’’.
  Será esta a fórmula do sucesso de um dos homens mais brilhantes da história dos negócios deste país? Tirar proveito da vida e permitir - e até facilitar - que outros também possam compartilhar melhores condições financeiras, saúde, cultura, educação, lazer, etc?
  Viver é aprender a viver. Isso exige mais do que arte ou esperteza. Exige, sim, que se tenha um sentido, uma razão que oriente cada dia, cada decisão. E isto é algo com que muito poucos realmente se preocupam. Só os que atingem o sucesso verdadeiro.

ABRAHAM SHAPIRO é consultor em Desenvolvimento Humano e Comportamento Organizacional

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