ESPAÇO ABERTO - Os fortes e os fracos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de junho de 2004
Jonathan Menezes 
Assim são discriminados aqueles que vivem sob o amparo da ''lei da selva'', a qual rege o sistema capitalista, globalizado, iníquo e seletivo no qual vivemos (e aqui não falo apenas de economia). Esta lei diz que aquele que possuir capacidade de sobrepujança tal em relação aos outros, terá domínio sobre estes, e será o maior entre os sobreviventes. A lei da selva é lei da sobrevivência, a ''lei do mais forte''. Sobressaem-se apenas os capazes, os eficientes, no que conseguem superar-se a si mesmos, em suas limitações, e aos demais viventes, ''nem que seja sob uma poça de sangue''. O restante, apenas ''sob-vive''. Quem fica ''para trás'' está morto. E esta morte não significa necessariamente desfalecimento biológico, mas quer dizer, na maioria das vezes, nulidade. Ser ''fraco'' de acordo com tal lei é quase como que perder sua identidade social, ser jogado ''pra escanteio'', vir a ser mais um ''zero à esquerda'', neste universo em que poucos ''dominam''.
Este mundo ''selvagem'' segue seu curso, ''ordenado'' por uma espécie de ''cadeia alimentar'', elementar à sua continuidade natural. Enquanto um indivíduo, em busca de sobrevivência e de seu ''espaço'', tem que se ''alimentar'' de um outro, sempre existem outros indivíduos, com uma capacidade maior, em busca de um espaço maior, atrás deste tentando devorá-lo também. A ''fome'' às vezes é tanta, que supera inclusive a capacidade de enxergar quem é o outro. Mas o ''outro'' não é ninguém, o outro é apenas ''outro''. Assim, ''devora-se'' indistintamente aquele que se coloca sobre o ''caminho'', e a quem mais possa atrapalhar as metas e os objetivos os quais todos os que vivem sob o amparo desta lei formulam para si.
A ''Igreja'' não está alheia a esta lei acionada no e pelo mundo dos ''selvagens''. Muitas vezes, os ''selvagens de dentro'' são iguais, senão piores, que os ''selvagens de fora'' da Igreja. O apóstolo Paulo, falando às igrejas da Galácia, já advertia: ''Mas se vocês se mordem e devoram uns aos outros, cuidado para não vos destruírem mutuamente'' (Gal. 5:15). Paulo exortava para que se atentasse para o individualismo, já naquele momento crescente na vida daquelas igrejas. E o que era pra ser ''lei da liberdade'', aos poucos se convertia em ''lei da selva''.
Contudo, uma pergunta nunca deixa de ser pertinente em contextos como este: onde se encontra a força dos ''fortes'' deste mundo, diante do Poder e da Graça do Deus Soberano? ''Pois quando sou fraco é que sou forte''. (2Co. 12:10). Paulo, aqui, nos desafia a subverter a ''lei da selva'', suas ambições e tentações, e passar, assim como ele, a gloriar-se nas coisas que evidenciam nossas fraquezas, e não em nossa suposta ''força''. Nas fraquezas somos aperfeiçoados, pois, nelas, a Graça de Deus se faz presente e suficiente, nelas seu Poder se aperfeiçoa. Por causa destas fraquezas, dependemos cada vez menos de nós mesmos, e cada vez mais da Graça de Deus. Portanto, não há por que se envergonhar se o mundo nos despreza, persegue ou insulta, visto que é em fraqueza que o Poder de Deus repousa em nós, fazendo-nos verdadeiramente fortes, e a força dos ''fortes'' deste mundo, em Deus, é aniquilada.
JONATHAN MENEZES é estudante de Teologia em Londrina


