A agropecuária é uma atividade fascinante, mas que ao mesmo tempo consegue aplicar grandes ''peças'' no produtor rural. No exato momento, em que o Brasil alcança a liderança do mercado mundial de produção de carne bovina, mostrando a pujança do agronegócio, o agropecuarista recebe uma das menores remunerações, em toda a sua história, pelo preço da arroba do boi.
Os valores pagos em média entre US$ 15 e US$ 19 - oscilando pouco de uma região para outra do País - estão bem aquém do desejado e contribuem bastante para a redução da margem de lucro no setor. No mercado internacional, apesar de um crescimento de 36,2% no volume exportado, de janeiro a agosto deste ano, o setor do complexo carnes sofreu, segundo levantamento feito pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), uma queda de 4,8% na média dos preços pagos. Ou seja, estamos produzindo mais e recebendo cada vez menos.
Até o final de agosto, as 820 mil toneladas exportadas pelo Brasil foram negociadas pelo valor médio de US$ 1.686 por tonelada para o produto in natura e por US$ 1.918 para as carnes industrializadas, rendendo um montante de US$ 875 milhões aos cofres brasileiros. Em contrapartida, os Estados Unidos obtiveram entre janeiro e julho de 2003, US$ 1,743 bilhão com as exportações de carnes bovinas e alcançaram um preço médio de US$ 3.551 por tonelada.
Outro fator alarmante apurado pela CNA em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP) é que no mês de agosto, os preços dos insumos pecuários tiveram aumentos acima dos índices gerais de inflação. Produtos como fertilizantes apresentaram altas expressivas e registraram índices de 5,94% em São Paulo, 4,42% no Pará e 3,68% em Rondônia. Em SP, o sal mineral também registrou um aumento considerável de 6%.
Segundo a pesquisa, se levarmos em consideração os últimos seis meses, as perdas dos pecuaristas aumentam ainda mais. De março a agosto, o complexo insumos pecuários teve em média uma alta de 4,33%, enquanto que o IGP-M apresentou índice de 1,13%. E no mesmo período, o valor recebido pela arroba de boi alcançou um aumento de apenas 1,85%.
Se analisarmos a posição do consumidor final, veremos que ele também está sendo muito prejudicado nos últimos meses. Além do baixo poder aquisitivo, o consumidor brasileiro padece com as altas sucessivas, desde janeiro, no preço da carne. Em maio, por exemplo, levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para elaboração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor, apurou que o preço da carne no varejo subiu 3,79%.
Logo, faço aqui uma pergunta: se o pecuarista e o consumidor não estão sendo beneficiados com as constantes variações no mercado de carne bovina, então, quem realmente está ganhando?
LUIZ MENEGHEL NETO é produtor rural e presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Limousin

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