Desde que me formei na Universidade Estadual de Londrina (UEL) com o título no diploma Licenciada em Ciências Sociais, em 1991, deparo-me com dificuldades em ser reconhecida como professora de História ou até mesmo de Sociologia nas escolas. Não basta fazer o concurso público, passar nas provas, e sem falsa modéstia, com ótimas classificações, para conseguir uma vaga nas escolas e o direito sagrado e consagrado com o diploma, devidamente registrado no MEC, para conseguir a vaga.
No momento da escolha da escola e da efetivação nas disciplinas do concurso você tem que argumentar junto às bancas e às burocracias que você é habilitado plenamente para a função. Pairam dúvidas! Você é rebaixado na sua classificação ou é desclassificado, como está ocorrendo com o concurso público para o magistério ocorrido em maio e junho do corrente ano.
Os Cientistas Sociais puderam inscrever-se, realizar as provas, ser classificados com publicação no Diário Oficial e na hora da escolha da vaga ser notificado que não era habilitado e não poderia assumir a vaga. Isso é um desrespeito máximo às instituições que oferecem o curso de Ciências Sociais, como no caso do curso da UEL, que completa 30 anos de existência.
Não é cursinho de licenciatura curta não! É licenciatura e das mais plenas possíveis! Quem estudou na UEL sabe disso! É desrespeito aos cidadãos que realizaram esses cursos e adquiriram o direito de lecionar aulas de determinadas disciplinas, que constam no histórico escolar, só não lê e não entende quem não quer entender. Está lá no histórico escolar o número de horas exigidas por lei para se obter o direito de lecionar as disciplinas.
No caso das Ciências Sociais na UEL, até 1992, os alunos obtinham o direito de lecionar História, OSPB e Geografia no 1º grau; Sociologia no 2º grau (terminologia até 1996). O aluno escolhia, no momento do estágio, três disciplinas para se habilitar. Concluído o curso enviava o diploma e o histórico para o MEC e obtinha um certificado de registro de professor (a carteirinha do MEC).
Esse direito e essa qualificação não podem ser anulados por burocratas que não querem ler e acatar o que está escrito no histórico escolar desses Cientistas Sociais! As burocracias educacionais que se sucedem nos governos revelam que não querem a presença dos Cientistas Sociais nas escolas. Primeiro, não consolidam na grade curricular a disciplina Sociologia, que nem constou nesse último concurso. Segundo, não aceitam a habilitação dos Cientistas Sociais para lecionar História. Habilitação essa reconhecida legalmente, mas desrespeitada descaradamente, numa manobra sem precedentes nos últimos concursos públicos para o magistério.
ILEIZI LUCIANA FIORELLI SILVA é professora de Sociologia e Metodologia de Ensino no Departamento de Ciências Sociais da Universidade Estadual de Londrina

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