Recentemente, tem-se visto matérias destacando a situação precária dos municípios de nossa região e de todo o país.
Entretanto, o que deve se levar em consideração são as dificuldades da administração pública atual, tais como a diminuição de repasse do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) que redireciona as verbas do governo para o município, o que dificultou ainda mais a manutenção desses municípios, gerando maior empobrecimento e causando uma situação difícil de auto-suficiência, que certas vezes é originária da própria emancipação inapropriada, conforme muito bem discorreu o editorial da Folha de Londrina do último dia 16.
O que talvez seja inapropriado é a atitude de certos administradores. Tão logo assumiram o cargo de chefe do Executivo, na tentativa de justificar sua administração no ano que se inicia ou mesmo de se eximir de culpa por promessas eleitoreiras que não serão cumpridas, tratam de criticar a administração que os antecedeu, como é o caso do atual prefeito de Tamarana.
Lamentavelmente, o prefeito de Tamarana chamou a imprensa execrando seus opositores políticos e mostrando máquinas sucateadas do Município, matéria da Folha de Londrina do dia 15 de janeiro.
Ocorre que talvez o prefeito tenha se esquecido que seu pai Edson Siena foi o primeiro prefeito de Tamarana e grande parte do maquinário exposto é de origem da administração do Siena-pai. Grande parte dessas máquinas sequer foi utilizada na gestão passada por falta de capacidade de uso.
Talvez, o atual prefeito também tenha se esquecido que o ex-prefeito Edison Siena tenha negociado ou mesmo dispensado um terço da frota da prefeitura de Londrina, o que era de direito do Município de Tamarana quando da emancipação, se contentando na época com estas poucas e bem usadas máquinas.
Muito embora isso tenha ocorrido, deve-se ressaltar que algumas das máquinas expostas foram utilizadas na gestão de 2001 a 2004 para realização de muitas obras públicas pela administração anterior e, naturalmente, tais maquinários sofreram desgaste natural do uso e trabalho, o que certamente através da esporádica manutenção facilmente continuará a servir o Município.
Além disso, o Siena-filho não se lembrou que seu pai deixou mais de R$ 800 mil de dívidas empenhadas, sem contar as que não foram empenhadas, valor esse que ultrapassou a importância de R$ 1 milhão.
Ora, na realidade, tais atitudes inconsequentes tomadas por certos prefeitos não passam de mero oportunismo e de pura demagogia, ou até mesmo, em certos casos, de incompetência, pois tinham conhecimento da dificuldade da administração pública de hoje quando se candidataram ao cargo de chefe do Executivo.
PAULO MITIO NAKAOKA é ex-prefeito de Tamarana (gestão 2001-2004)

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