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Londrina

Opinião 5m de leitura Atualizado em 02/01/2022, 14:29 assinante

ESPAÇO ABERTO - Olhe para cima em 2022!

A película expõe os fios desencapados do momento, em que a humanidade parece ter outras prioridades, além da sua sobrevivência como tal

PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Padre Manuel Joaquim R. dos Santos
AUTOR autor do artigo

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Caro leitor, olhe para cima. Johannes Gutenberg (1396-1468) olhou para cima e por esse seu especial gesto eu estou escrevendo neste jornal. Galileu Galilei (1564 -1642), considerado o pai da ciência moderna, ao defender o heliocentrismo contra o geocentrismo, olhou para cima, enquanto a inquisição romana olhava para as profundezas do mito. Sir Isaac Newton (1642-1727) olhou para cima; se não fosse assim, a mecânica clássica e a ótica, não seriam o que são. Talvez nem Albert Einstein (1879-1955) tivesse sido o pai da relatividade geral ou da sua fórmula de equivalência massa-energia, E = mc² s se não tivesse olhado para cima!

Imagem ilustrativa da imagem ESPAÇO ABERTO - Olhe para cima em 2022!
|  Foto: Divulgação/Netflix
 

Com certeza, Marie Skłodowska-Curie (1867-1934), a primeira mulher a ganhar o prêmio Nobel, passou seus anos olhando para cima! E Santos Dumont (1873-1932)? E Alexander Fleming (1881 – 1955)? E os cientistas que descobriram em tempo recorde a vacina contra a covid? Olhar para cima fez a diferença na história da humanidade. Há cerca de dez mil anos, os sapiens olharam para cima e dominaram as sementes, viabilizando o seu futuro e a própria civilização. A parábola dos magos no Evangelho, nos aponta para as vantagens de se olhar para cima: sempre tem uma estrela nos conduzindo ao lugar certo!

A história, no seu processo evolutivo, não tolera a mediocridade e a negação da capacidade humana de inventar, transformar e sonhar. Olhar para cima é contemplar as inúmeras possibilidades que são oferecidas ao homem, num processo constante de superação e de prevenção.

O filme mais comentado no momento: "Não Olhe Para Cima" ("Don't Look Up"), conta a história de dois astrônomos que fazem a descoberta surpreendente de um cometa em rota de colisão com a Terra. Fato este, que se verídico, só seria percebido pela observação, uma clara homenagem a Galilei!

Sem nenhuma coincidência no filme, trata-se da primeira etapa das cinco, do método cientifico. Porém, a película expõe os fios desencapados do momento, em que a humanidade parece ter outras prioridades, além da sua sobrevivência como tal. Embora pareça uma aberração lógica, é um infeliz fato!

Apenas seis meses até o cometa fazer o impacto, ver Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence implorando a atenção de líderes políticos e da sociedade em geral, sem sucesso, mostra-se cômico e chocante!

A tinta já corre, denunciando o filme ou aplaudindo-o, dependendo dos autores. Há os que consideram o trabalho de Adam McKay inoportuno, medíocre e desnecessário para os tempos que vivemos. Porém, a crítica em geral é tremendamente favorável, ao considerar esta obra reflexiva, mesmo usando recursos humorísticos, e pondo o autor praticamente no patamar Steven Spielberg!

Eu assisti ao filme duas vezes na mesma tarde! A primeira, recomendado por amigos, e a segunda para absorver cada ironia, cada sátira, cada crítica, com a plenitude que merecem. A obra é um retrato falado do momento histórico, capaz de fazer ruborizar qualquer um dos cientistas atrás mencionados! Não há paralelo na história civilizacional ocidental de tamanha irracionalidade, ao se contrapor um senso midiático raso, embasado em influências digitais medíocres e contagiantes, a dados científicos comprovados por leis, que esses nobres e ilustres homens e mulheres do passado nos legaram.

O nivelamento por baixo, é caraterizado por olhos no chão, de uma sociedade embrutecida que se recusa a olhar seu passado e a levantar os olhos “ao céu”! “Levanto os meus olhos para os montes, de onde virá meu auxílio. O auxílio me vem do Senhor, que fez o céu e a terra” (Sl 121). A própria Bíblia nos conclama a olhar para cima! Deus é o sócio majoritário dos nossos feitos. Ele não intervém no cotidiano da humanidade, mas homens e mulheres com “sumsum corda” (corações ao alto), pautados pela humildade, escrevem um belíssimo poema a quem dizem adorar! A cada novo ano, levantando os olhos para cima, eles fitam o impossível, que vai se realizando teimosamente, pelas mãos dos oleiros sonhadores e amantes da ciência.

O negacionismo que hoje nos perturba é de gente que não olha para cima e nem acredita naquele que nos ajuda a reduzir ao pó todos os mitos da humanidade! Em 2022 olhe para cima! Levante os pés da lama e caminhe firme. Seja parceiro dos outros e do Outro, que legitima teus sonhos de um mundo mais humano!

Padre Manuel Joaquim R. dos Santos, Arquidiocese de Londrina

A opinião do autor não reflete, necessariamente, a opinião da FOLHA. 

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