ESPAÇO ABERTO - Olhar para o futuro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de setembro de 2003
Teofilo Bacha Filho 
''Em educação, também, ao invés de esterilizar e consolidar, a solução é antecipar-se ...Não precisamos de erudição, mas de imaginação criativa e ousadia no planejamento e nas realizações'' - (Lauro de Oliveira Lima -1971)
Incrível, mas verdadeiro! Afirmava uma autoridade da área do ensino que aceitava a Educação à Distância (EaD), conquanto não fosse para a educação básica, graduação ou pós-graduação, mas apenas como ''ensino livre'' ou ''complementar''. E este não é um pensamento isolado. São numerosos os educadores, muitos dos quais se crêem ''progressistas'', que se opõem à EaD com base em argumentos emocionais escondidos sob uma casca ligeiramente ideológica (ou ''principiológica''). A História nos ensina que a mesma reação acompanhou o surgimento do livro impresso, que ameaçou os procedimentos orais de ensino.
Ora, neste novo século, a influência das comunicações, da eletrônica e da informática (as chamadas novas TIC - ''Tecnologias de Informação e Comunicação''), penetra todos os aspectos da vida cotidiana, incluído o educativo. As TIC ocasionaram a modificação da elaboração e distribuição dos meios de informação, produzindo novas possibilidades de expressão, ao lado de um vertiginoso desenvolvimento da extensão e profundidade da informação. É verdade que o entusiasmo acrítico com que essa nova realidade midiática foi aceita, relacionada com a idéia neoliberal de ''excelência'' e seus critérios de racionalidade, eficiência, produtividade e controle de processos, levou não poucos intelectuais a olharem com desconfiança e pessimismo o uso das TIC na educação.
As mudanças tecnológicas têm sido tão rápidas e profundas que as pessoas não têm tido tempo suficiente para assumi-las criticamente. Mas, não é acertado aceitar que perdure uma oposição intransigente que se recuse a ver que as tecnologias de informação e comunicação farão, cada vez mais, parte do contexto no qual desempenhamos nossa tarefa docente. A LDB (Lei n. 9.394/96) abriu caminho para que, à exceção do ensino fundamental, todos os níveis e modalidades de ensino possam ser ministrados por meio das TIC. A EaD deixa de ser um ''experimento'' para se tornar um dos caminhos possíveis para que o Estado e a sociedade cumpram seus compromissos com o ensino.
Um olhar atento para o panorama mundial deixa antever uma profunda mudança nos paradigmas educacionais. As barreiras entre ''ensino presencial'' e ''a distância'' tornam-se, cada dia, menos delineadas, já que o uso das novas tecnologias, ao colocar o ensino no âmbito da modernidade, constitui real oportunidade para a superação das limitações de tempo e espaço e, ao mesmo tempo, permite uma nova qualidade nas possibilidades formativas.
Como afirma o secretário de EaD do MEC, João Carlos Teatini: ''Creio que a discussão em torno da complementariedade ou substituição entre educação à distância e presencial esteja superada''. Não é utopia imaginar-se que, mais cedo que se pensa, a educação superará tais barreiras, num processo no qual alunos e professores incorporam as tecnologias no ensino como recurso sistemático.
Isto explica que num país como Cuba, o governo venha despendendo enormes esforços para inserir a EaD como um das formas regulares de oferta de acesso da população à educação, definindo novos papéis e funções e construindo ''novos cenários de aprendizagem abertos isentos das limitações da escola tradicional'' (Florido Bacallao, Centro de Referência para a Educação Avançada - Cuba).
TEOFILO BACHA FILHO é vice-presidente do Conselho Estadual de Educação do Paraná


