ESPAÇO ABERTO - O voto cristão na eleição em Londrina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de outubro de 2004
Paulo Rogério Sanches 
Talvez eu não seja uma pessoa adequada para falar sobre o tema acima, porém, como cristão praticante e filósofo autodidata tenho a responsabilidade de apontar alguns detalhes que permeiam nosso dia-a-dia nesta época eleitoral. No que tange aos candidatos em ''combate'' no pleito municipal, verifica-se que ambos se intitulam cristãos, mas então como votar levando em conta tal igualdade?
O cristão tem como lei maior o ''amor ao próximo'', e é partindo desta premissa que o meu raciocínio se desenvolverá, uma vez que tal afirmação faz parte da fé de cada um dos dois candidatos.
Se a análise de tais candidatos não tivesse o cunho religioso, mas apenas político, também se chegaria de forma indireta à questão do amor ao próximo, resumida no princípio de que a administração pública é voltada ao bem público, ou seja, o bem ''dos próximos''.
Há uma frase que corre nas conversas sobre a eleição de que um candidato ''rouba, mas faz'', inferindo assim que: um candidato não faz e não rouba, e outro que faz e rouba. Tal frase também foi muito dita no Estado de São Paulo.
Ora pode-se então voltar à questão religiosa concluindo como deve ser a análise do cristão a partir da voz do povo, que também é a voz de Deus (assim diz o ditado). Não vou colocar o verbo roubar nesta conclusão, mesmo estando mencionado tão veementemente nos colóquios das ruas.
A situação da frase tão comentada na cidade também leva à seguinte conclusão: ele dá com uma mão e tira com a outra, uma vez que estamos falando de dinheiro público, que quer dizer que é meu, é seu, é nosso, e deve ser aplicado para o bem comum.
Quando existe suspeita a respeito de uma pessoa que não se coloca a favor do próximo, e de outro lado uma pessoa que não tem nada que a coloque em situação de desconfiança, o bom-senso e o cristianismo consideram que a pessoa na qual não pende nenhuma suspeita é aquela que se pode depositar a nossa escolha.
Neste sentido, o pensar de todo o cristão no tocante ao pleito municipal é o de verificar qual dos candidatos chega mais perto do ideal ''amor ao próximo'', porém quando não há suspeitas a conclusão é mais difícil, mas quando existe tal suspeita a conclusão é evidente.
Deixar de pensar no mal que poderá acontecer contra o próximo é ser egoísta e ser contra os ditames sagrados. Para encerrar coloco uma frase proferida por Jesus Cristo, repetida em vários evangelhos: ''Quem tem ouvidos para ouvir. Ouça!''
PAULO ROGÉRIO SANCHES é advogado em Londrina


