ESPAÇO ABERTO - O tamanho das nossas dívidas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de maio de 2004
Walmor Macarini 
As nossas dívidas financeiras têm o tamanho da nossa capacidade de pagá-las. Se as assumimos, é porque estavam dentro das medidas que o nosso padrão permitiu. Se elas se avolumaram, isto foi uma consequência e algo inerente e indissociável. Dívidas e ganhos correspondem ao volume dos empreendimentos em que nos envolvemos. Se dívidas nos incomodam, devemos saber que, de alguma forma, as criamos, e se tivemos o poder de criá-las temos o idêntico poder de saldá-las.
Um débito preocupante de cem reais será equivalente à dimensão da competência de quem o assumiu. Se for de cinco mil reais e tal se apresentar como o máximo, é porque o limite desse devedor é este, em sua visão. Se a dívida for de cinco milhões ou de cinquenta milhões, nada estará fora do parâmetro de quem está vinculado a ela. Quem a assume, é porque está suficientemente capacitado a liquidá-la, porque tal está na equivalência de sua medida. Então, não há por que entrar em pânico e nem perder o sono, mas acionar as mesmas forças que o levaram a uma obrigação de tal volume.
Se quem deve tem o propósito de pagar, encontrará o meio de fazê-lo, porque já programou isso em seu registro interno, e então acontecerá. Só não paga uma conta quem não deseja, e se não deseja é bem provável que o dinheiro realmente não apareça. Naturalmente que não é fácil ficar sereno diante de contas a pagar, quando os juros correm, a situação financeira não é boa ou os ganhos cessaram, mas toda dívida resultará paga se este for um real propósito do devedor.
Um débito real tem de ser pago, porque este é um encargo que fica registrado no akasha de cada um (as religiões dizem o livro de Deus). Negar-se a liquidá-la, por imaginar que não irá fazer falta ao credor ou porque ele já deve ter esquecido, é assumir um débito ainda maior, que voltará a se apresentar de alguma forma e em circunstâncias ainda piores. Porque todo o processo tem um efeito. As coisas se movem pelo sentimento, e se quem deve está com a firme decisão de não prejudicar o credor, as leis que regem essa dinâmica indicarão algum mapa da mina, e o dinheiro aparecerá. A intenção convicta e inarredável de fazer uma coisa já representa a sua consecução.
Há que buscar a serenidade e acreditar que tudo se revolverá. Serenidade não significa desleixo. Cada dívida tem a medida que lhe damos. Se declaramos não ter condições de pagá-la, então já decretamos isso, significando que não temos, mesmo, a intenção de saldá-la. Quem disser que isto não é tão fácil assim, já se afundou na crença da dificuldade e então tudo ficará difícil.
E por que falar de dívidas? Porque elas atormentam a maioria das pessoas. Criar uma dívida e pagar uma dívida tem a mesma dimensão. Não dever nada a ninguém não é necessariamente um mérito, dever não é demérito, mas dever e não pagar, este é um grande mal. Melhor é encarar as coisas de frente, com responsabilidade e sem receio, confiante de que uma dívida, do tamanho que seja, está dentro do padrão de quem a produziu e da capacidade individual de pagá-la.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


