A importância do contato físico é crucial no processo de desenvolvimento dos filhos. Pais travados na hora de trocar afeto impedem as crianças de experimentar com alegria e espontaneidade o próprio corpo e expressar os seus sentimentos. Para que o filho não cresça com vergonha, culpa e insegurança, é preciso mostrar que as manifestações de carinho e contato físico são positivas e enriquecem cada vez mais os relacionamentos.
Muitos homens e mulheres têm grande dificuldade em trocar carinho com beijos e abraços. Esse contato, que é gostoso e aconchegante, não existe para essas pessoas. Elas parecem engessadas, insensíveis ao toque. Isso acontece mais frequentemente com os homens, que confundem contato físico com necessidade de manifestar desejo sexual.
Em relação à sexualidade, os tabus são ainda maiores, impedindo que os pais consigam estabelecer bons laços de confiança com os filhos. Por outro lado, é ingênuo, e contraproducente, tapar o sol com a peneira acreditando que só vai se falar em sexo com os filhos na adolescência. Nessa fase, a conversa pode ficar difícil e até sem sentido, caso nunca tenha ocorrido anteriormente uma convivência mais intima e amigável.
A criança de hoje é muito precoce e já quer saber de que forma o bebê nasce e como ocorre a intimidade sexual. Não raro, um menino de 6 ou 7 anos vive ansioso para folhear uma revista de mulher nua porque já viu a de um colega. A curiosidade começa cedo.
Ao abordar o assunto com as crianças, os pais precisam se esforçar para fazer comentários de maneira natural, usando uma linguagem fácil e objetiva. Se tiverem vergonha ou dificuldade de se expressar, é melhor reconhecer para os filhos essa deficiência e sugerir que eles procurem outra pessoa, como um padrinho, um tio ou uma professora. O que não pode ser feito é deixar as crianças crescerem com dúvidas, porque essas questões não resolvidas só fazem aumentar a confusão e se tornam um complicador a mais para o futuro.
Quem tem essa dificuldade precisa começar a mudança aos poucos, exercitando-se nas situações mais corriqueiras, como andar com o parceiro de mãos dadas pela rua, assistir a um programa de TV abraçado ao outro, retribuir um beijo com naturalidade.
Esses e outros pequenos avanços acabarão trazendo resultados em médio prazo e a proximidade e convivência entre os familiares tenderá a ser mais natural e constante. No caso das crianças, com certeza, isso as ajudará a ter um sentimento positivo em relação à vida a dois com aumento da sua autoconfiança e melhora da sua saúde emocional.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

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