Durante 24 anos o Partido dos Trabalhadores (PT) prestou um irrefutável serviço à democracia e ao País. No Legislativo, em todos os níveis do poder, os petistas de carteirinha levantaram sua voz e apresentaram leis fundamentais para o surgimento de um Brasil novo. Nos portões das fábricas, nas comissões de centros de direitos humanos, nas universidades e nos movimentos sociais, os integrantes dessa ''esquerda bem organizada'', foram preparando com inteligência e perspicácia a tomada do poder trilhando a via da legalidade e da democracia.
Como uma orquestra em perfeita harmonia, ganharam municípios, depois alguns Estados e, finalmente, a Presidência da República. Não sem marcarem uma presença mais expressiva no Congresso Nacional. Mais de 50 milhões de brasileiros lhe conferiram um voto de confiança, sem necessariamente se filiarem ao dito partido. Fazia-se necessário que a esperança vencesse o medo!
Passado um ano de governo, começo a desconfiar seriamente, se esse partido algum dia teve um projeto de sociedade para o Brasil ou se tudo não se resumia a um simplório projetinho de poder. A política de conciliação e transação teve como principal objetivo aplainar mais as divergências dos grupos dominantes que conceder benefícios ao povo, como alguém lembrava em 1965.
As medidas de política econômica no primeiro ano do governo Lula, como bem disse Reinaldo Gonçalves, professor de economia da UFRJ, indicam que estamos entrando em mais um período de conciliação e reforma. As reformas aprovadas no Congresso a custo do ''toma lá da cá'' não representaram nenhuma novidade e deixaram repetir o filme que os brasileiros estão, infelizmente, habituados a assistir. A política de Lula até momento tem interessado à elite econômica e, principalmente, aos grandes bancos que mais um ano racharam de ganhar dinheiro. A área exigiu mudança de ministro, de tão pífia que se apresentou no primeiro ano de governo.
O Fome Zero demora para produzir os efeitos esperados e apela-se para a paciência histórica dos pobres necessitados. O desemprego não conheceu nenhuma arma eficaz que o fizesse recuar. Malgrado a imprensa, totalmente amarrada ao poder como nunca se viu, os números reais nos apresentam situações caóticas em grandes cidades como São Paulo.
E o pior, está virando pesadelo, a exposição constante de um exuberante telhado de vidro que jamais imaginaríamos que rimasse com o Partido dos Trabalhadores, historicamente ondulando ao vento na bandeira da ética e da honestidade. O caso Santo André mergulhado na neblina da falta de explicações convincentes e agora o assessor do primeiro ministro - leia-se José Dirceu - ligado ao jogo do bicho no Rio, nos deixam no mínimo apreensivos com a conduta desse surpreendente partido político. Esperávamos mais!
Ao contrário do Governo do Paraná que tem mostrado a que veio, refletindo sua atuação em números positivos de criação de postos de trabalho e programas de combate à pobreza, e em atitudes duras e enérgicas, o Governo de Brasília com o aumento de três mil cargos comissionados ou a abertura de 41 mil vagas na máquina federal, dá a tônica de uma política deveras desmoralizante. O Brasil merecia mais!
LUCELI CERQUEIRA LOPES é advogada em Londrina

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