Nos últimos dias a notícia que vem ''pipocando'' pelo país é sobre a pequena fortuna de um milhão de reais que a celebridade global Juliana Paes teria ganhado de uma revista masculina para posar nua em suas páginas. Como o fato é lícito e moral, eu não teria nada com isso. Porém, como professor há quase duas décadas, comecei a fazer algumas ''continhas'' e cheguei a uma conclusão que um educador teria, no mínimo, que viver duas vidas, para ganhar o que ela ganhou, em alguns flashes.
Não tenho, nem nunca terei nada contra essa moça, muito pelo contrário, o que realmente me deixa entristecido é a inversão de valores que ocorre em nossa sociedade.
É realmente complicado um professor entrar na sala de aula e fazer uma preleção sobre o amanhã. Que os estudos estão diretamente atrelados a um futuro promissor. É quase patético o nosso ensinar frente a esses devaneios coletivos. Quem precisa de escola a essa altura do campeonato? Basta ter um ''corpo sarado'', um rostinho bonito e tudo está resolvido. Para que especializações? Mestrados? Doutorados? Para que nos prepararmos nos bancos escolares para sermos simples mortais? (Que a escola ainda é, graças a Deus, uma porta aberta para o futuro é inegável, mas com toda essa ordem contrária à lógica, fica difícil de se escrever a giz essa definição).
O fato de a guria ter posado nua para a revista, ganhando a fortuna que ganhou, não é tão degradante quanto a frustração de ser desprezado pela sociedade. Desvalorizado como profissional. Deixado em quarto plano aqueles que preparam a nossa juventude para que um dia saia do papel a máxima que o nosso país é o país do futuro. Ser educador exige muita responsabilidade, muito estudo, muita dedicação, muitas renúncias, (às vezes tendo que deixar a própria família em segundo plano); ser professor, é antes de qualquer coisa, acreditar que pode endireitar os rumos da sociedade.
Podem até me mandar posar nu para uma revista para que eu possa, também, ganhar um bom dinheiro, mas ainda prefiro ser professor e me despir somente da ignorância e ensinar que a dignidade ainda é o melhor salário.
DAVRISON DE ABREU ANSELMO é professor em Ibaiti

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