''Com a palavra, as mentes piedosas'' - assim termina o artigo em que o professor de Filosogia, Agnaldo Pavão, contesta a existência de um Deus bondoso que atue na história, e a ocorrência de tragédias naturais que causam sofrimentos seletivos em algumas pessoas, poupando preferencialmente outras.
O articulista cultiva a deusa razão, a mesma deusa que entronizada na Igreja de Notre Dame de Paris, conduziu ao período de terror que se instalou durante a Revolução Francesa.
Parece-me que então também os sofrimentos humanos foram seletivos e semelhantes; e a caus fundamental desses sofrimentos está numa cois que pode ser a glória ou a desgraça dos homens e que se chama ''Livre Arbítrio''. Se a existência desse dom, o mal, causado pela vontade livre dos homens, e que mais não é do que a ausência do Bem, nunca teria oportunidade de se instalar. Mesmo em tragédias naturais, chuvas torrenciais, calores excessivos, secas prolongadas, a diminuição da camada de ozônio, o efeito estufa, se podem atribuir à ação dos homens, dementados pela ânsia de poder ou de riquezas.
Por que a deusa da razão não impede a morte? Por que a deusa da razão não impede a doença? Por que a deusa da razão não impede o estabelecimento da idéia de que o que importa é o prazer pelo prazer, o poder pelo poder, ou riqueza pela riqueza?
De resto, a própria razão sabiamente esclarecida, leva ao conhecimento necessários de uma causa, causante e incausada, à existência da qual, São Tomaz de Aquino chegou pelas suas célebres cinco vias.
Professor Aguinaldo Pavão, ouso afirmar-lhe que Deus quer salvar a todos, mas a salvação oferecida ''não é deste mundo''. Os homens é que pelo uso de um ''livre arbítrio'' podem recusar esta Salvação.
E que a idéia da existência de Deus é compatível com o uso natural da razão o provam, por exemplo, a vida de Einstein e de Pasteur.
Por favor, use um pouco mais de filantropia, uma vez que a sua posição agnóstica o impede de saber o que é caridade, ao julgar sem mandato específico o comportamento daqueles que sofreram e sofrem resignadamente porque sabem em absoluto que o nosso Deus, do Mal, sempre tira o bem de todos.
JOSÉ RUIVO DA SILVA é médico cirurgião geral em Londrina

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