É bastante difícil arriscar uma resposta definitiva sobre o amor, sentimento poderoso que transforma intensamente nossas vidas, nos dá forças e empresta uma grande beleza à realidade do dia-a-dia. Freud começou a falar das questões do amor e da sexualidade no início do século XX. Mas foi só a partir dos anos 60, que psiquiatras e psicólogos se puseram a pesquisar como o amor afeta o relacionamento entre as pessoas e a sexualidade.

Em uma pesquisa feita na Inglaterra pela revista Cosmopolitan, 90% das pessoas entrevistadas disseram que tinham se apaixonado ao menos uma vez na vida, por volta dos 18-20 anos de idade, e 20% disseram que tinham se apaixonado profundamente mais de uma vez, até 3 vezes. Quando perguntadas se estavam apaixonadas no momento da pesquisa, observou-se que 61% das mulheres responderam que estavam numa fase de envolvimento afetivo, de paixão, contra apenas 43% dos homens. Isso revelou que as mulheres talvez tenham uma facilidade maior de se envolver afetivamente, e que homens e mulheres encaram de forma diferente as questões do amor.

Um estudo realizado pelos psicólogos americanos Susan e Clyde Hendrick concluiu que os homens são mais lúdicos, isto é, são pouco práticos e muito mais influenciados pelos atrativos físicos na escolha das parceiras. Os homens fazem sua escolha em função do aspecto físico, da beleza, do sexo. Já as mulheres se revelaram muito mais racionais que os homens, são mais práticas e ponderadas. Elas se interessam pelos aspectos essenciais, a ponto de avaliar antecipadamente se o homem seria um bom companheiro, um bom amigo, um bom amante e até um bom pai para seus futuros filhos.

Seria importante também lembrar que o amor à primeira vista existe. É natural que nessa circunstância os parceiros se mostram ambivalentes entre o deslumbramento e o sentimento mais real e genuíno que está nascendo nessa relação.

Outra grande verdade é que o amor pode durar a vida inteira, embora ele não permaneça inalterado. Depois de uma fase inicial de euforia, em que o sexo ocupa um lugar prioritário, o verdadeiro amor vai se desenvolvendo, crescendo e amadurecendo. Mesmo que tenha nascido de uma intensa atração física, ao longo dos anos pode se transformar num amor baseado na amizade e numa vida mais compartilhada onde o sexo tem grande importância, mas não é o único fator de sustentação.

O amor maduro consegue conviver bem até com as flutuações da sexualidade, que alterna períodos de intensa paixão sexual com períodos em que o desejo é menor, apesar de resistir ao tempo. Por outro lado, o sexo pode ser prazeroso mesmo na ausência do amor em virtude da forte atração física, mas não resiste ao tempo pela falta de envolvimento emocional.

O importante é entender que em nome do amor os homens são capazes de matar e morrer. Para mantê-lo deixam de lado conforto material, carreira promissora, posição social, etc. Apesar de tudo, o amor é que nos sustenta e não há nenhum exagero quando afirmamos que cura qualquer dor ou mal-estar. Realmente, o amor é um poderoso antídoto contra doenças, especialmente aquelas de origem psicológica. É também o afrodisíaco mais eficaz que existe. Aproveite as férias para amar bem e melhor.

MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

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