ESPAÇO ABERTO - O PMDB precisa de um projeto para o Brasil
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sexta-feira, 12 de novembro de 2004
Max Rosenmann 
O resultado das eleições traz embutido lições importantes para a democracia e para os partidos que se propõem a representar as aspirações da sociedade. Nascido da luta pelo restabelecimento das liberdades democráticas, o PMDB vem sofrendo nos últimos anos um processo de perda de identidade que ameaça transformar o partido em legenda acessória.
Apesar de ter saído das urnas com o maior número de prefeitos e vereadores, o PMDB se tornou um partido com uma silhueta corpulenta, mas sem rosto. Mesmo tendo sido vitorioso na maioria dos municípios, o partido fica cada vez mais afastado do poder nos grandes centros. E mesmo continuando sendo o maior partido do Brasil, ninguém sabe qual é a proposta, o projeto do PMDB para o País.
A falta de rumo tem feito dele um ''dragão sem cabeça'', que se debate em seu gigantismo na ausência de um projeto político próprio. A prova é que a própria direção nacional do PMDB, através do presidente, deputado Michel Temer, programou reuniões com as principais lideranças do partido, na tentativa de definir para onde queremos ir.
Falta um programa, uma vontade política de definir qual o País que queremos e qual a proposta que oferecemos aos brasileiros. Como sempre digo em minha atividade parlamentar, falta a encomenda. E sem um projeto de poder e de País, partido algum tem futuro.
É preciso, por exemplo, reavaliar a postura do PMDB em relação ao governo do PT, depois de quase dois anos em que o partido deu seu apoio em nome da governabilidade. Lamentavelmente os resultados exibidos pelo atual governo são pífios no que se refere ao enfrentamento dos chamados ''nós'' que atravancam a retomada do crescimento econômico. O PMDB precisa decidir se é bom ou não para o partido continuar atrelado ao projeto político do PT, ou se pretende formular seu próprio projeto de País.
Mas é preciso que essa autocrítica seja para valer, e não apenas como instrumento de pressão sobre o atual governo para renegociar espaço. Agora falam em atender as emendas dos parlamentares ao Orçamento. Mas não é isso que se quer, e sim, que se cumpram os compromissos de campanha que levaram esse governo ao poder. Para o bem do PMDB e da democracia, espero que essa movimentação não seja apenas mais um muro das lamentações de setores que não tiveram seus interesses atendidos. Mas sim que seja uma oportunidade efetiva da apresentação de propostas e da formulação de um projeto que recupere ao PMDB a capacidade de ser novamente protagonista de nossa história política e social.
MAX ROSENMANN é deputado federal pelo PMDB/PR


