ESPAÇO ABERTO - O PIB: gerar riqueza é deixar o país mais rico?
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quinta-feira, 19 de dezembro de 2019
Espaço Aberto 
É comum encontrarmos nos noticiários, nas projeções calculadas com base nas expectativas do mercado e também nas estatísticas macroeconômicas dos países, um indicador conhecido como PIB (Produto Interno Bruto). Esse índice reflete toda a riqueza gerada por um país durante um determinado período, sendo essa riqueza oriunda dos setores de produção, de extração ou de serviços, e também contempla variáveis como o consumo das famílias, o resultado balança comercial e os gastos do governo.
Normalmente quando esse índice apresenta uma alta em relação à um período anterior, o mercado recebe essa notícia com grande satisfação, sendo que muitas vezes o otimismo e a confiança são elevados diante de um mínimo incremento nesse indicador, pois isso significa, de acordo com os analistas financeiros, que as condições do país está melhorando, e que consequentemente haverá mais consumo, mais empregos e mais renda para todos.
Importante avaliar, contudo, o destino de toda essa riqueza gerada e, ao mesmo tempo, refletir se a sociedade está realmente evoluindo em suas múltiplas dimensões. Perguntas como as que seguem, contribuem para uma análise mais profunda: nas mãos de quem está parando essa riqueza? Dizer que o país gerou mais riqueza, ou seja, que teve um aumento no PIB, significa que o país está mais rico?
Para se ter uma ideia e ajudar a responder algumas dessas questões, a OXFAM, uma instituição internacional que busca soluções para questões ligadas à pobreza, a desigualdade e a injustiça, divulgou um estudo feito no ano de 2017 onde constatou que de toda a riqueza gerada no mundo, 82% foi parar nas mãos do 1% mais rico do planeta. Estudos como esse sugerem que, não necessariamente a riqueza gerada por um país é revertida em melhores condições para a sociedade e que na maioria das vezes o que ocorre é uma má distribuição, refletindo em maior concentração de renda e consequentemente o aumento das desigualdades socioeconômicas.
Um dos índices que busca contrabalancear o PIB é o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), onde além das questões econômicas, outros dados são levados em conta, por exemplo, o nível de educação e saúde de uma sociedade. Em dezembro/2019 a ONU (Organização das Nações Unidas) divulgou o relatório onde avaliou o IDH de 189 países referente ao ano de 2018. O Brasil caiu 1 posição no ranking e, de acordo com o documento, o país tem a segunda maior concentração de renda do mundo.
É claro que assim como o PIB, o IDH também sofre muitas críticas. É bem verdade que ao buscar avaliar uma sociedade por indicadores, sejam eles econômicos ou sociais, pode-se estar correndo o risco de reduzir seus membros a meros números, o que é muito limitante dado a complexidade e individualidade de cada um. Mas o importante é que as tentativas e esforços para medir o desenvolvimento, a sustentabilidade, as riquezas de uma nação, contemplem não apenas fatores econômico-financeiros, mas também o bem-estar, saúde, educação, justiça, e tantos outros indicadores que tentem refletir e atingir, em uma palavra, aquilo que todos nós na condição de cidadãos gostaríamos: dignidade humana.
Chrystian Bíscaro - Bacharel em Ciências Contábeis (UEL), Especialista em Controladoria e Finanças (PUC-PR), Mestrando em Administração (UEL). Atua como consultor de empresas.


