A Universidade Estadual de Londrina foi fundada em 1971. Nesta semana estamos completando 32 anos. A Universidade de Oxford foi fundada em 1231. Harvard, em 1636. A Universidade Federal do Paraná, em 1912.
As universidades, como instituições sociais e dinâmicas, são organismos vivos, e assim devem ser tratadas. Vendo deste prisma, somos uma criança de 32 anos, que está começando a construir sua história.
Enfrentamos ao longo destas três décadas muitos riscos. Muitos desafios foram vencidos. Construímos uma universidade que demonstra a vitalidade necessária para sobreviver numa conjuntura globalizada e complexa.
O regime militar nos vacinou contra o vírus da opressão e falta de liberdade. A liberdade, oxigênio maior para permitir o nosso crescimento.
O desmonte das estruturas públicas nas décadas de 80 e 90 no ensinaram a resistir, a sobreviver e crescer com recursos escassos. E tendo como única arma nossa autonomia, conquistada parcialmente e com muita luta de toda a comunidade universitária.
Nossa curta história nos orgulha. Olhar para frente significa para nós, hoje, redefinir mais uma vez o nosso papel. Agora, frente a uma nova conjuntura, pois a universidade, como um organismo vivo, tem que continuar a cumprir o seu destino de fazer ensino, pesquisa e extensão, mas sem se desvincular do meio em que vive.
O destino de nossa UEL, hoje, é se aproximar cada vez mais da sociedade. Por isso estamos criando o Conselho de Interação Universidade Sociedade, para dividir com ele a responsabilidade de desenvolver um projeto e políticas de desenvolvimento para a nossa região.
Paralelamente, a consciência de que nosso País deve mudar seus rumos é cada vez mais profunda. Devemos responder, enquanto universidade, qual é o nosso papel para arrancar, definitivamente, nosso País das amarras da enorme desigualdade social em que nos afundamos durante cinco séculos.
Devemos poder fazer alguma coisa. Nossa história nos autoriza a dizer que podemos. É certo que todas as condições para realizar nossa tarefa não estão dadas. Existem desafios enormes, dificuldades de grande porte para enfrentar em nosso dia-a-dia: a infra-estrutura física precisa de investimentos, o déficit crônico de custeio precisa ser equacionado. Os salários precisam ser melhorados com urgência.
Tudo que podemos desejar, neste aniversário, é que daqui a dez anos nós tenhamos conseguido superar as dificuldades e escrever mais uma pequena parte de nossa história, contribuindo, desta vez, para melhorar os padrões éticos de igualdade e justiça social.

LYGIA PUPATTO é reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL)

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