ESPAÇO ABERTO - O papel da sociedade na inclusão social
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de abril de 2005
Daniel José Gonçalves 
Em face dos acontecimentos recentes, como a polêmica das cotas nas universidades, a operação da polícia na Vila Pinto em Curitiba e a política social do governo federal, devemos refletir a respeito do papel da sociedade na inclusão social. O sistema de cotas é uma tentativa de diminuir as desigualdades, sobretudo dos mais marginalizados: os negros e índios. Porém, essa medida é excludente, uma vez que pobre não é só negro ou índio. Por outro lado, a atividade da polícia na favela da Vila Pinto, contribui ainda mais com a violência que já faz parte do cotidiano daquelas pessoas.
As políticas sociais do governo, parecem mais programas oficiais de esmola, do que propriamente uma atividade social. Todos esses programas visam resultados imediatistas, o que jamais será a solução de séculos de espoliação. A população precisa é de saúde, emprego, educação, moradia, condições dignas de sobrevivência. Sem isso jamais haverá bem estar social.
Se tiver que haver cotas, deve ser por renda ou para alunos de escolas públicas; as blitze nas favelas devem ser permanentes, mas para resgate da dignidade da população; os programas governamentais devem ser para investir dinheiro seriamente, num programa a longo prazo, para uma verdadeira revolução nas áreas da educação, saúde, emprego e reforma agrária.
É necessário cobrar das universidades, por exemplo, projetos de extensão que atinjam diretamente as classes populares. Um projeto coerente seria fazer, em conjunto com a comunidade local (igrejas e associações de moradores), programas de educação fundamental e profissionalizante nos finais de semana, com expedição de certificados registrados pela instituição, para inserir os jovens no mercado de trabalho, alfabetizar os que não tiveram acesso ao ensino e, sobretudo, promover uma inclusão social efetiva, dando possibilidade de emprego, ensinando medidas para evitar doenças, dando assistência médica, odontológica e jurídica, enfim, dando uma oportunidade para essas pessoas buscarem sua dignidade.
Vivemos um momento crucial da história mundial. Especialistas alertam que as condições ambientais não suportam mais degradações. Vale lembrar, que o planeta Terra é o único no universo com condições naturais para a sobrevivência humana. As estimativas da Unesco informam que se não houver uma mudança de postura de vida até o ano de 2030, estamos fadados à destruição. A autodestruição. Deve haver uma mobilização geral, pois todos estamos envolvidos, todos fazemos parte do mundo. São necessárias atitudes contundentes, emergenciais, mas não paliativas. A sociedade não pode mais dar as costas à pobreza. O problema é nosso!
DANIEL JOSÉ GONÇALVES é professor de Literatura em Curitiba


