A mídia, movida pela ideologia capitalista de valorizar o ser humano-objeto como forma de obter lucro, contribui para a glorificação do ego das pessoas. Assim, os indivíduos passam a se expor constantemente nos meios de comunicação como forma de sucesso fácil. Todavia, essa fama é efêmera, expondo a anulação do lado humano.
A obsessão em ter o rosto estampado na capa de uma revista de grande circulação, por exemplo, é uma forma de ser superior ao restante do planeta, criando, com isso, um conceito universal e irrefutável. Isso acaba por estimular os outros a seguirem esse padrão já consagrado de destaque social, homogeneizando o comportamento.
Ao mesmo tempo, cria-se uma ilusão para a celebridade e para aqueles que a veneram, pois a pessoa famosa não é ela própria. Trata-se, na realidade, de um sistema político que outorga poderes ao capital para que este possa reproduzir-se no imaginário popular.
O que sobra quando se retira de uma modelo as jóias, o vestido, o sapato, o corte de cabelo e a maquiagem no rosto? Apenas uma pessoa que outrora utilizava sua imagem como escudo para proteger seus sonhos dos invejosos, e que agora perdeu sua identidade. Quanto ao público, estes tendem a continuar esse ciclo de mediocricidade humana, uma vez que adoram seus falsos deuses.
A concorrência entre talentos tende a ser bastante acirrada hoje em dia, tornando o fracasso muito comum. Uma forma de se evitar isso é o indivíduo mostrar suas outras habilidades, provando que tem consciência própria para impedir que a mídia limite sua capacidade. O problema é que a maioria dos aspirantes a galãs e a símbolos sexuais apenas valorizam o que está na moda, não enxergando as futuras tendências do gosto do telespectador. Quando as luzes do holofote se apagam, a ex-celebridade assume sua derrota automaticamente.
A mídia vende a atitude de fama como embalagem para seus produtos. A população, almejando o glamour do showbusiness, não enxerga a fragilidade de sua identidade. No final, o Oscar vai para a vaidade, pois esta esteve acima do ser humano.
CARLOS EDUARDO BOBROFF DA ROCHA é estudante de Medicina em Londrina

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