O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) concluiu esta semana a elaboração do edital do concurso vestibular da UEL de 2005. O Vestibular da UEL consolida-se como um concurso inovador e de qualidade. Mantém a abordagem multidisciplinar, que significa que o candidato deve ser capaz de relacionar os conteúdos das diversas áreas do conhecimento a ele apresentadas como disciplinas durante o Ensino Médio. Outra característica importante é a valorização da análise crítica, buscando eliminar o peso que já teve a capacidade de memorização de fórmulas, datas e siglas.
O Vestibular da UEL foi o primeiro a incluir as disciplinas de sociologia, filosofia e artes no concurso. Apesar das dúvidas e resistências colocadas à época da implantação destas modificações, a firmeza da UEL em implementá-las mostrou-se como uma atitude acertada.
O próximo concurso apresenta duas alterações estruturais que o aprimoram: o aumento da nota de corte da prova do primeiro dia de 15% para 30% e da nota de corte da redação de 1,0 para 2,0 pontos. A Coordenadoria de Processos Seletivos (COPS), órgão da UEL responsável pela elaboração e aplicação do vestibular, propôs ao CEPE que analise a implantação de uma alteração substancial para o vestibular de 2006: a organização do concurso em duas fases, sendo a primeira eliminatória e a segunda classificatória. Ainda este ano estaremos analisando esta questão no CEPE.
Este será também o primeiro vestibular com a aplicação do sistema de reserva de vagas para estudantes oriundos de escolas públicas e para negros. A medida suscitou uma polêmica que envolveu toda a comunidade universitária e boa parte da sociedade. O Conselho Universitário da UEL, após uma ampla discussão que envolveu todos os cursos de graduação e centros de estudos da Universidade, bem como setores da sociedade externa, aprovou a medida com a expressiva votação de 31 votos favoráveis e 11 contrários. Esta foi uma das votações mais folgadas dentre as universidades que já adotaram o sistema. Acredito que a mesma reflete um nível de consenso gerado pela postura dos que defendiam inicialmente a medida e se dispuseram a construir sua viabilidade com base no diálogo e na inclusão de todas as sugestões que se mostraram viáveis.
Busquei agir com a maior serenidade durante este período de debates, respeitando as opiniões que se apresentavam e incentivando que as discussões fossem as mais francas e profundas, pois é desta forma que uma universidade democrática define seus rumos. Com esta mesma serenidade apresentei a medida e as justificativas da UEL para adotá-la ao Dr. Mário Ferreira Leite, procurador da República que manifestou a intenção de contestar judicialmente a decisão do Conselho Universitário da UEL. Respeito as opiniões que divergem das minhas, mas manifesto também minha convicção de que a UEL demonstrará a legitimidade e legalidade da decisão, que é apoiada pelo Ministério da Educação e já foi adotada por sete outras universidades brasileiras; e que está hoje sendo discutida por inúmeras instituições.

Lygia Lumina Pupatto, é reitora da Universidade Estadual de Londrina

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