ESPAÇO ABERTO - O necessário amparo ao agronegócio
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2004
Edson Neme Ruiz 
Em bem fundamentado artigo de opinião, o jornal ''O Estado de S.Paulo'' ressalta a importância do agronegócio e defende a mais efetiva presença do Governo quando essa providência se faz necessária. Demonstra que o agronegócio é um dos setores mais dinâmicos da economia brasileira, e, referindo-se a alerta nesse sentido feito pelo ministro Roberto Rodrigues, diz que no ano que vem os produtores de grãos poderão precisar da ajuda governamental, ou perderão dinheiro. Porque os custos de produção elevaram-se, preços do produto agrícola caíram e também o dólar teve queda, prejudicando as exportações. Pede o ministro a inclusão orçamentária de R$ 2 bilhões para socorrer a comercialização da safra.
A atividade rural é atípica e se diferencia da industrial, por exemplo. No campo, tudo o que se planta exige tempo para o crescimento e a colheita, com sujeição às intempéries sol demais, chuva demais, granizo, vendavais, pragas (para não falar dos invasores do MST) e ausência de garantia de preços mínimos e da formação de estoques financiados com recursos públicos. A segurança no campo permite ao produtor planejar melhor seu negócio, e ele tem conseguido manter-se, mas o socorro do Governo é necessário quando os preços caem abaixo do nível oficial. É procedente o alerta do ministro da Agricultura e Pecuária, mas é preciso que o 'dono da chave do cofre', o ministro Antonio Palocci, da Fazenda, não desdenhe da questão e não fique apenas na afirmativa aleatória de que ''o setor receberá alguma ajuda''.
A produção brasileira de alimentos tem aumentado, pela adoção da tecnologia e pela melhor administração da atividade, e isto não tem dependido muito de dinheiro do governo, embora os técnicos pertençam a instituições oficiais, caso do próprio Ministério da Agricultura e da Pecuária, da Secretaria da Agricultura, da Emater, do Instituto Agronômico, da Embrapa. Mas o Governo não pode abandonar seu apoio financeiro e logístico para o meio rural, porque é esse segmento da cadeia produtiva que garante a produção de alimentos para a mesa dos brasileiros, oferece grande número de empregos mais, isoladamente, que os outros setores e reforça substancialmente a balança comercial externa. Não pode haver desestímulo ao produtor rural, porque o produto de seu trabalho é fundamental para a segurança alimentar e para a segurança nacional. Se agricultura se salva, tudo o mais estará seguro, e sabe-se que se a produção do campo capitular, as cidades não subsistirão.
EDSON NEME RUIZ é presidente da Sociedade Rural do Paraná


