ESPAÇO ABERTO - O namoro
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sexta-feira, 11 de junho de 2010
Dom Orlando Brandes 
Celebra-se hoje o dia dos namorados. Tudo na vida requer preparação. Deus preparou longamente a vinda de seu Filho ao mundo. Nós nos preparamos nove meses para nascer e nossas mães capricharam na preparação do enxoval. Para ser padre a gente estuda dez anos e até mais. Para recebermos a Eucaristia e o sacramento da crisma temos de dois a três anos de preparação. A sociedade exige que todos estejamos preparados para o emprego, o trabalho, as responsabilidades e negócios. Daí a longa preparação escolar. Para o casamento os noivos têm apenas uma tarde e uma manhã de preparação.
O namoro se explica dentro da ótica e da necessidade de preparação. Que adianta ter sucesso empresarial, esportivo, cultural e fracassar na vida amorosa e familiar? O namoro prepara as pessoas para a missão de serem esposos, pais, cidadãos. No autêntico namoro temos uma escola de crescimento e amadurecimento pessoal e relacional.
O grande engano e ilusão é fazer do namoro um jogo sexual, interesseiro e muitas vezes imaturo e até explorador. Todos nós precisamos ser respeitados, aceitos e amados de modo definitivo. O namoro é esta chance única de fazermos uma experiência de diálogo, de conhecimento mútuo, sempre com o objetivo de construir a vida pessoal, social e, principalmente, familiar.
É alarmante e sintomático perceber como as pessoas se casam despreparadas, imaturas, interesseiras, egoístas. A finalidade do namoro é superar esta situação lastimável. Por causa de pais despreparados, sofremos muito e até corremos o risco de não acreditar no valor do casamento e da família.
Nossa sociedade está erotizada. Crianças são vítimas da internet e as jovens engravidam precocemente e acabam abandonadas, ou, pior ainda optando por abortar. O sexo tornou-se algo fácil, trivial, barato e até enfadonho. O tédio sexual leva aos prazeres do álcool, da droga e tantos outros enganos, como preenchimento do vazio interior.
O erotismo virou lei. O orgasmo é obrigatório. Transar é moderno e livre, é ''aproveitar a juventude''. Sexo, paixão, carinho e amor são coisas distintas embora complementares. É rara hoje a disciplina e orientação para o amor. Há pais que permitem namorados e namoradas de seus filhos dormirem juntos em suas casas. A missão dos pais, da escola e das religiões é educar para o amor. O sexo no namoro não é necessário, porque não morremos por falta de sexo. O que mata a vida e a família é o erotismo libertino e a falta de ternura, de carinho, de amor.
Um namoro casto não é um namoro cafona, recalcado, temeroso. Há no namoro lugar para o afeto, o sentimento, a paixão, o coração. É casto quem cai na tentação, mas procura levantar-se, ordenar as paixões, lutar para alcançar a maturidade. É casto quem procura converter-se e quer recomeçar para humanizar os instintos e pulsões.
Namoro, portanto, não é passatempo, fazer um programa, relacionamento light ou mera camaradagem, companheirismo ou simples amizade. Namoro é algo mais profundo. Por isso o namoro precoce demais é prejudicial e ninguém aguenta namorar todos os dias da semana ou pendurado no celular. O amor requer silêncio, reflexão, tempo de distanciamento. A arte de amar não é fácil, mas, é o caminho bem-aventurado para uma vida alegre, sadia, construtiva e feliz.
Temos hoje muitos jovens que namoram cristãmente e dão testemunho de que há outro modo de namorar do que aquele imposto pela cultura moderna erotizada. De um namoro verdadeiro colhem-se grandes frutos: pessoas amadas, esposos felizes, famílias bem estruturadas que muito contribuem para uma sociedade de paz, de convivência fraterna e de solidariedade. O namoro é uma experiência de amor de Deus por meio do amor humano, que leva ao amor do próximo.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
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