Em todos os setores da vida, cada um age conforme seus modelos de mundo que acabam gerando suas crenças e seus comportamentos. As pessoas costumam se agrupar em torno de modelos comuns na religião, na política, na ciência e na vida e, a menos que seus modelos sejam mais abertos e abrangentes, acham que é o seu caminho que está certo e que o do vizinho está sempre errado.
É o que pode ocorrer nas diferenças existentes entre alopatia e homeopatia se uma solução transdisciplinar não for proposta. O descobridor desta última, Samuel Hahnemann, admitia a existência do imaterial e defendeu a idéia de que seria esse imaterial que teria um grande efeito no ser humano que, por sua vez, também não seria limitado à matéria. O imaterial do medicamento homeopático agiria, então, pela lei dos semelhantes para induzir no paciente um estado dinâmico de funcionamento chamado de saúde. Portanto, sem a consideração da possibilidade de existência do espiritual no ser humano, a idéia de Hahnemann não pode chegar a fazer pleno sentido, pois o medicamento homeopático conta com esse cenário como pressuposto.
Ora, como, então, do ponto de vista do mecanicismo concreto provar o funcionamento da homeopatia? Poderia o materialista convicto pedir provas da existência do imaterial com a metodologia que, por princípio, o exclui?
É por essa impossibilidade que surgem os fantásticos prêmios de um milhão de dólares. Interessante é verificar que os argumentos dos céticos de renomadas universidades fazem eco com o dogmatismo de fundamentalistas religiosos diante de experiências espirituais. Para esses arrogantes donos da verdade, o espiritual, se um dia puder se comprovar, pertenceria a outro departamento, bem de acordo com o modelo separatista de Descartes.
A Teoria do Caos enfatiza, por outro lado, que quanto mais os sistemas são abertos, mais susceptíveis ficam aos chamados ''Efeitos Borboleta'', ou seja, à extrema sensibilidade a qualquer mínima interferência externa. É o caso de um sistema meteorológico, por exemplo. E é, igualmente, o caso do ser humano considerado pela homeopatia de Hahnemann.
Para os mecanicistas, só a medicação alopática irá funcionar, já que essa é compatível com o seu modelo de ciência e de mundo. De outra forma, somente quando o ser humano se abre num processo contínuo de evolução da consciência, ele fica susceptível aos Efeitos Borboleta de qualquer tipo, afirmam os cientistas que trabalham com caos em psicologia transpessoal e saúde sistêmica.
Nessa região de ação é que as técnicas sutis da medicina funcionam e o paciente fica sensível às dosagens mínimas de medicamentos dinamizados. É aí que fica mais fácil mudar padrões de alimentação, comportamento, relacionamento e outros que podem estar na origem dos desarranjos da saúde.
Assim, os adeptos da homeopatia deveriam manter o seu sistema de conhecimento sempre aberto, pois como dizem os especialistas em caos, só um sistema aberto é que, criativo e auto-organizado, pode prover as pistas necessárias para a verdadeira evolução do ser humano.
IVAN AMARAL GUERRINI é Físico e professor do Departamento de Física e Biofísica da Unesp em Botucatu (SP)

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