''A maturidade do homem consiste em haver encontrado a seriedade que tinha no jogo quando era criança, Nietzsche''. Palavras sábias. Os jogos da época de criança não são meras brincadeiras, eles têm um lado educativo muito forte, que ajudam a formar o nosso caráter e os nossos valores. Os livros infantis são uns desses jogos; poderosíssimos, diga-se de passagem. Os livros são jogos, aventuras, histórias de amor. Se eles transportam os adultos para um outro mundo, imagine para onde não levam as crianças.
Na infância a ingenuidade impera. Acreditamos em tudo e em todos; lindos contos nos envolvem de tal forma que criam em nosso imaginário situações muito diferentes. Nos despertamos para o mundo da fantasia, nossa criatividade aflora e a nossa sensibilidade se aguça. A leitura não é um jogo muito legal?
Os livros e a leitura têm um poder difícil de ser mensurado. Crianças que são estimuladas a ler desde cedo, que têm o exemplo de pais leitores e que têm um contato gostoso com a leitura, acabam desenvolvendo habilidades diferenciadas para os dias de hoje. Senso crítico, imaginação, criatividade, dinamismo, sensibilidade, entre outras habilidades, ficam mais apurados.
Se o livro e a leitura são tão bons, por que alguns os consideram tão chatos? Com certeza, essas pessoas não aprenderam o ''jogo da leitura'', que é tão prazeroso e divertido. Não ouviram uma história de forma apreensiva, atenta, criativa, na qual, qualquer barulho de fora parece não incomodar. Não se divertiram com fantoches e dedoches que dançam num palco de papelão e contam uma história engraçadíssima sobre um pneu chorão. Não se emocionaram com uma história que aconteceu há muito tempo atrás, lá no oriente, e que mostra que, no final, a verdade é sempre a melhor saída.
Nós, adultos, temos que ensinar o ''jogo da leitura''. Pais, professores, tios, avós podem divertir-se muito com as crianças e as brincadeiras de leitura. Ler antes de dormir, brincar de completar a história ou pintar o que foi lido são algumas maneiras de jogar. Mas um jogo que não pode ter muitas regras, não tem imposições ou obrigações, só tem diversão, liberdade e muito, muito prazer!
Brinquem! Joguem! Leiam! Escrevam! Façam a imaginação funcionar! Não temos dúvidas que ajudaremos a formar adultos mais humanos e conscientes.

MARIA EUGENIA SOSA é colaboradora da Fundação Educar DPaschoal em Campinas

mockup