ESPAÇO ABERTO - O homem sexualmente maduro
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de fevereiro de 2004
Moacir Costa 
O que é maturidade sexual? Seriam os homens mais imaturos sexualmente do que as mulheres? De que faixa etária estamos falando? Há muita dúvida e distorção sobre o tema.
A maturidade às vezes é confundida com a terceira idade, para alguns abrangeria a fase adulta tardia ou envelhecimento. O conceito de maturidade independente dos critérios envolvidos: cronológico, biológico, psicológico ou social, não deixa de ser convencional. Dacquino, psicanalista italiano, afirma que o conceito de imaturidade sexual se refere a um comportamento sexual genitalizado, muito comum entre os homens e governado exclusivamente pelo prazer imediato.
A preocupação neurótica com o desempenho normal e convencional está sempre presente. Em geral é comum observar naqueles homens que buscam ajuda devido a um problema sexual, um grande medo de ''correr riscos'' com se isso fosse inevitável.
O que é certo para os homens nesse mundo moderno é poder contar com medicações efetivas e seguras, para um bom desempenho e a partir daí poder amadurecer e crescer na sua sexualidade e no seu investimento afetivo.
O uso desses novos medicamentos não contraria uma sexualidade humanizada, que valoriza o vínculo entre duas pessoas. Segundo Wolber de Alvarenga, psicólogo e poeta, o grande problema das pessoas é que querem ser o que não são, ter o que não têm, estar onde não estão, sem ter de lutar e trabalhar muito para isso.
Isso faz com que muitos amadurecem, mas não crescem. Como exemplo, alguns frutos que amadurecem e não crescendo caem ou como aqueles que amadurecidos à força, não têm brilho, doçura, vivacidade, sabor etc, exatamente como ocorre com os homens imaturos.
O médico não deve ser apenas um mero prescritor de medicamentos. Ao prescrever o Viagra para disfunção erétil, deve encarar o remédio como um aliado que vai contribuir para o crescimento não só sexual, mas do relacionamento, da valorização da parceira e da vida.
A pessoa madura é aquela que conhece a influência dos dois mundos sobre ela: o convencional que dá condições de amparo e sobrevivência e o da experiência que o liberta para o crescimento.
O mundo convencional, ligado ao hemisfério esquerdo, é lógico, racional, objetivo, concreto, o qual podemos manipular e controlar, se comporta como o alicerce da casa. No outro lado, o hemisfério direito, o mundo da experiência é a decoração, a intimidade onde o ser se expressa. É fruto das nossas relações interpessoais. Subjetivo, único, imprevisível e no máximo podemos compreende-lo apesar de nem sempre estar de acordo com o outro mundo.
A maturidade com crescimento possibilita fazer um ziguezague entre esses dois mundos, onde é possível a pessoa argumentar, se proteger, cuidar de si próprio e ter uma direção.
Para a vida ou para a morte (a vida proibida de ser vivida), a escolha é de cada um. Nós somos os únicos responsáveis pela qualidade de vida pela qual optamos. Os outros podem apenas nos facilitar ou dificultar a viver.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
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