ESPAÇO ABERTO - O governo e os números da criminalidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de fevereiro de 2005
Francisca Vergínio Soares 
Foi divulgado um balanço do Ministério da Justiça em outubro último indicando que foram registradas em 2003 - primeiro ano do governo Lula - 6,7 milhões de ocorrências nas delegacias de polícia do país. Houve um aumento de 18% em relação aos 5,6 milhões de registros de 2002. As estatísticas que a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) recebeu dos Estados mostram aumento dos crimes contra o patrimônio, delitos envolvendo drogas e crimes de trânsito. Em relação aos homicídios e crimes violentos sem mortes houve uma diminuição.
O estudo mostra crescimento de 11,8% do número de ocorrências para crimes violentos contra o patrimônio, onde se incluem roubos a coletivos, residências, estabelecimentos comerciais, cargas, bancos e veículos. Tráfico, uso e porte de drogas somaram 90,8 mil ocorrências no ano passado, um aumento de 8,3% em relação ao ano anterior. No trânsito, o número de ocorrências subiu de 284 mil para 294 mil.
No primeiro ano do governo Lula, foram registrados no país 40.630 homicídios dolosos, uma redução pouco significativa em relação ao ano anterior, quando as ocorrências somaram 41.083 vítimas. Os casos de estupro subiram de 14.220 para 14.280.
Um dos crimes que teve maior redução foi o de extorsão mediante sequestro. Em 2002 foram registrados 583 casos, número que caiu para 375 em 2003, redução de 35%. A queda mais brusca ocorreu na região Sudeste, onde o número de sequestros caiu de 421 para 194.
O furto é o crime mais comum no país. Ano passado, foram feitas 2,1 milhões de ocorrências desse delito, contra 1,8 milhão no ano anterior. O levantamento mostra que mais da metade dos crimes contra o patrimônio (54%) acontece nas capitais. Para todos os outros delitos pesquisados, as capitais concentram entre 28% e 33% das ocorrências.
Junto com os dados, a Senasp publicou análises, por cada tipo de delito, sobre as ocorrências mais comuns, entre 2001 e 2003. A avaliação dos três anos para o crime de extorsão mediante sequestro chama a atenção para o crescimento de 92,2% na taxa da Região Norte.
Enfim, os números refletem o cenário sombrio a que os cidadãos comuns estão submetidos devido a ausência de uma política de segurança pública que realmente iniba a criminalidade. Além da campanha de desarmamento, é preciso projetos preventivos que acampe a juventude, segmento este mais suscetível às ''facilidades'' oferecidas pela atividade no crime. O governo tem os números falta, no entanto, fazer algo satisfatório.
FRANCISCA VERGÍNIO SOARES é socióloga, doutora em Ciências Sociais e professora de Ciências Políticas e Sociologia em Londrina


