ESPAÇO ABERTO - O futuro da soja no Brasil
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de junho de 2004
Amélio Dall'Agnol 
Não é mera adivinhação o exercício de prospectar cenários, tomando como referência as tendências atuais. Embora essas análises dificilmente precisem os cenários futuros, seus resultados sempre lançam alguma luz sobre o dia de amanhã.
Fazendo esse exercício sobre o futuro da soja brasileira, parece pertinente afirmar que será azul o horizonte dessa commodity para o País, de vez que não se vislumbram riscos de encalhe do produto por excesso de oferta e a consequente queda acentuada dos preços internacionais, apesar do mal-explicado problema com as exportações para a China e a promessa dos norte-americanos de superarem as 80 milhões de toneladas na próxima safra.
Apenas para ilustrar, o crescimento da produção mundial nos últimos 33 anos tem sido de quase cinco milhões de toneladas/ano (41,8 milhões de toneladas, em 1970, e 194 milhões de toneladas, em 2003) e os estoques estão em seus níveis mais críticos, indicando que o crescimento da demanda tem sido ainda maior que o da oferta.
O aumento do consumo na Ásia está crescendo na mesma velocidade que crescem as economias da região. O PIB da China, por exemplo, a nossa principal parceira no comércio de soja, cresce a impressionantes taxas de 7% a 10% ao ano, seguido de perto por outras economias da região - Índia, muito especialmente. Boa parte desse ingresso adicional de recursos financeiros está sendo canalizada para a compra de alimentos - soja no meio. E o potencial de consumidores, apenas nessas duas nações, é de quase 2,5 bilhões de pessoas.
E o que é mais estimulante para os brasileiros é saber que está no Brasil a única grande reserva de terras agricultáveis ainda selvagens, aptas e disponíveis para o cultivo da soja. Sua incorporação ao processo produtivo só depende do mercado.
A liderança do Brasil na produção mundial de soja virá antes que termine presente década e os protagonistas dessa mudança serão produtores profissionais, com bom nível de escolaridade, consumidores intensivos de tecnologia e permanentemente antenados para as novidades do mercado, como novas tecnologias, tendências dos preços, custos de produção, processos de comercialização, entre outros.
AMÉLIO DALL'AGNOL é pesquisador da Embrapa Soja em Londrina


