Como trabalhador de saúde e militante da área há décadas, não tenho dúvidas de que a saída para a população brasileira é a defesa intransigente do Sistema Único de Saúde (SUS), seus princípios, diretrizes e metas. Durante todo este período trabalhando no setor, está claro também que os planos de saúde são empresas que, num sistema mercantilista, visam sempre o lucro. Aliás, no capitalismo vale o lucro sobre o lucro.
O ministro da Saúde, Humberto Costa, tentou argumentar com o presidente Lula a necessidade do veto ao artigo 15 (parágrafo 3º) do Estatuto do Idoso. Este artigo não permite que os convênios privados dêem aumento diferenciado para a faixa etária de 60 anos. O ministro argumentou que se não houver possibilidades de aumentos diferenciados para os mais velhos os convênios aumentarão nas faixas etárias mais jovens. Ora, esta conversa é antiga.
Precisamos mesmo é dar um basta para qualquer aumento diferenciados por faixa etária. O ministro está neste aspecto duplamente equivocado. Primeiro porque é nesta faixa de idade que os brasileiros mais precisam de assistência à saúde. Segundo, que a luta dos fóruns populares de saúde, em suas deliberações, historicamente têm se colocado exatamente no sentido de não permitir discriminação para que os convênios não possam cobrar a mais de cidadãos mais idosos.
O presidente Lula não aceitou os argumentos do ministro, assinou na íntegra, sem nenhum veto ao Estatuto, demonstrando um enorme gesto de grandeza para com os idosos brasileiros. Como militante da área fico satisfeito com a ação do presidente Lula, mas é preciso mais atenção, senhor ministro, com relação a estas questões.
MAURÍCIO BARROS é vereador do PT em Londrina, militante e trabalhador na área de saúde

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